UM CARNAVAL DE INCOMPETÊNCIA

por Neno Freitas (*)

Belém.Pa – Quisera poder mentir que o atual prefeito de Belém construiu obras culturais importantes (Aldeia Cabana, Memorial dos Povos, Praça Waldemar Henrique, etc..), Quisera poder mentir que seu governo é ético e honesto. Quisera poder mentir e aplaudi-lo pelo renascimento do carnaval Belenense. Mas, desperto com a consciência da verdade e luto pra não afogar no mar de lama da incompetência. Quase submerso, ouço o acorde do cavaquinho desafinado chorando inconsolável pelo estado de coma do carnaval tupiniquim. E penso, será que ainda tem jeito?

Impossível não viajar no tempo e numa crise de ufanismo relembrar o terceiro carnaval do Brasil no início da década de 80, onde nosso céu exibia um belo arco-íris e o destemido povo cabano não se amofinava querendo saber quem são eles pra nos vencerem. A bandeira do samba e do amor vinha com duas pedreiras pra avenida. Tempos de glórias?

Na verdade muita gente ganhava dinheiro com o superfaturamento do carnaval, mas, como quem gosta de pobreza é intelectual, o povo curtia essa utopia. Todavia, o carnaval precisava acordar urgentemente pra sua triste realidade, pois, apesar de ter mais de 60 anos, ainda não tinha um berço público pra abrigar seus grandes desfiles. Tal possibilidade era um sonho.

Somente no final dos anos 90, esse sonho se realizou.
Surgia então a ALDEIA CABANA DAVID MIGUEL.
Quem antes teria homenageado um sambista com tamanho respeito?
Os sambistas estavam felizes, mas, com a euforia coletiva pela belíssima obra, vieram o GOLPE POLÍTICO e a DIVISÃO DO CARNAVAL. O monstro da EVASÃO DE PÚBLICO estava só nascendo.
Hoje os articuladores do golpe são os organizadores do carnaval e provam do próprio veneno. O atual prefeito fingiu concordar com a co-gestão entre a ESA (Escolas de samba associadas) e a BELEMTUR, pois, a ESA temia pelo fracasso do carnaval 2011, já que, tinha como paradigma a enorme desorganização, a falta de imparcialidade, a extrema incompetência e o conseqüente fracasso da FumBel frente as festas juninas. Imagine o que seria do carnaval?

Logicamente o atual prefeito não cumpriu o acordo com as agremiações, seria assinar o seu próprio atestado. E ele não tem competência pra assumir sua incompetência.
Traídas, quatro escolas não efetuaram suas inscrições.

Resultado, não haverá desfile oficial em Belém e sim desfile oficioso.
Como imaginar um desfile sem o brilhantismo do G.R.B.J. RANCHO NÃO POSSO ME AMOFINÁ (Escola Jurunense, mais antiga e mais querida de Belém, sendo a 4ª Escola do Brasil), do encanto da EMBAIXADA DE SAMBA DO IMPÉRIO PEDREIRENSE (Escola mais tradicional do bairro da Pedreira, local do desfile), do charme do GRÊMIO CULTURAL DEIXA FALAR (Escola representante da cidade velha, primeiro bairro da capital) e da poesia da ASSOCIAÇÃO CARNAVALESCA A GRANDE FAMÍLIA (Escola tradicional do telégrafo, bairro dos artistas).

Só na cabeça de um prefeito que em seis (06) anos nada fez em prol da cultura paraense, a não ser, acabar com o pouco que o segmento havia conseguido. O fim da BIENAL INTERNACIONAL DE MÚSICA é uma constatação deste desgoverno.
Quem vai querer ir pra avenida ver escolas pouco conhecidas na capital, excetuando-se dessa lista a grená e branca do umarizal (IMPÉRIO DE SAMBA QUEM SÃO ELES), única escola das quatro que desfilarão a respeitar os sambistas locais com a realização do festival de samba-enredo e que também tem grande tradição carnavalesca. Pois, o BOLE-BOLE, o PIRATAS e a TRADIÇÃO, como já é tradição não realizam festivais e representam apenas dois bairros. Sendo que BOLE-BOLE e TRADIÇÃO pertencem a uma mesma família no bairro do GUAMÁ e o PIRATAS não representa nenhum bairro especificamente.

Se for levado em conta a falta de imparcialidade do presidente da FumBel ( o qual foi apoiado na última eleição pelo fundador da TRADIÇÃO GUAMAENSE, fato este que motivou a indicação da folclórica Diretora de Ações Culturais daquela fundação e de suas conhecidas trapalhadas durante as festas juninas), as outras três escolas devem temer o futuro, pois, a diretriz de rebaixamento que não foi cumprida no carnaval passado pela esperteza jurídica do presidente da TRADIÇÃO, quando esta não desfilou, dessa vez será cumprida com rigor.

É bom ficarmos atentos, este prefeito já teve o mérito de colocar nossa cidade entre as piores do Brasil em todos os setores e já oficializou um desfile pra apenas duas escolas no grupo especial. Ele pegou tudo pronto, nada fez nada e ainda bagunçou a cidade realizando em Belém UM CARNAVAL DE INCOMPETÊNCIA.
HILDEBRANDO SILVA DE FREITAS (Neno) Presidente da ASSAMPA

2 respostas para “UM CARNAVAL DE INCOMPETÊNCIA”

  1. Mergulhando no ufanismo e ao mesmo tempo no saudosismo do nobre sambista, quero aqui também manifestar-me dizendo que tempo bom aquele quando ainda morador do bairro do samba e do amor, saía da Passagem do Carmo rumo a Av. Pedro Miranda e via, em meio aquela multidão em época de carnaval, aquele negro de quase 2 metros de altura que morava numa vila na mesma avenida próximo a Trav. Antonio Baena, passar rumo a batalha de confete lá no centro da pedreira. Era David Miguel com toda a sua simplicidade, mas com o garbo de quem tem a consciência de sua importância naquilo que faz. Bons tempos aqueles!!!
    Eis que pisquei os meus olhos e voltei pra realidade, que tristeza! Antes de qualquer coisa, é necessário entender que estamos diante de uma verdadeira quadrilha que se apossou de Belém e de sua cultura onde a regra principal é o cumprimento de acordos escusos prevalecendo sempre a lei do mais forte e no caso o poder está nas mãos de nunca deveria estar. No entanto fazendo uma melhor avaliação tratam-se também de uma questão de credibilidade moral e de outros princípios formadores de caráter, personalidade, etc… Coisa muita escassa nesse cenário tragicarnavalesco onde desfilam todos aqueles que outrora tramaram o golpe e por experiência própria estão esticando o couro pra tentar entoar desafinados acordes de samba carnavalesco numa passarela recheada de desencontros, desilusão e incompetência. É a preocupação da esperteza quando se depara com o “besta” aliado ao poder. O que menos importa são o povo e a cultura. Dirigentes de escolas tradicionais ainda não entendem que carnaval não exige só dedicação, como é o caso de escolas menores como o Xodó da Nega e outras, mas aliança com quem realmente tem compromisso com a cultura e o samba paraense, o relato do autor da matéria realça justamente isso, quem tanto fez pelo carnaval de Belém recebeu um duro golpe daqueles que hoje comprometem todo o brilhantismo que só o carnaval pode proporcionar e com o seu resgate. Por isso estão apavorados com um fantasma materializado chamado evasão de público e aí entra em cena o causador de pânico dos atuais dirigentes do nosso carnaval que são os carnavais pelos vários municípios do nosso estado que tem como atrativos a simplicidade e a alegria dos seus brincantes, mostrando que pra se fazer carnaval o dinheiro é importante, mas não é o essencial. Precisamos resgatar urgentemente no intimo da população de Belém o gosto pelos carnavais de outrora e fazer com que a nossa aldeia cabana retorne aos áureos tempos de David Miguel e outros sambistas que perpetuaram as nossas escolas e a raiz do samba em nossa terra.

Deixe uma resposta para Rui Santos Cancelar resposta