Prefeitura de Belém viabiliza o plantio de 120 mil novas árvores até 2024

Túnel de mangueiras na avenida Nazaré, centro de Belém.

Nesta terça-feira, 21 de setembro, é comemorado o Dia da Árvore. Mas, Belém, embora esteja na Amazônia, é uma das cidades grandes menos arborizadas do Brasil. Ela possui apenas 22,4% de arborização, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2010. A pesquisa se refere aos vegetais de vias, aparelhos públicos (praças, canteiros, calçadas e etc).

O operador de caixa, Leon Cristian Cunha, 29 anos, diz sentir falta de espaços verdes no bairro da Terra Firme, onde mora. “Perto de casa tem somente a Praça Olavo Bilac, na avenida Celso Malcher, onde, antes da pandemia, as pessoas sempre iam mais para lanchar e brincar no parquinho de diversões. No meu bairro existem praças bem menores e não vejo a quantidade de árvores necessárias nesses lugares. Para falar a verdade, nem no meu bairro em geral. Se tivesse, sem dúvida, as pessoas viveriam bem melhor”.

Para ajudar a mudar essa realidade, a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), tem a meta de viabilizar o plantio de 120 mil novas árvores na capital, até 2024 – o que vai melhorar o meio urbano da cidade e a qualidade de vida da população.

“Para arborizar Belém, um grande estudo foi feito e pretendemos plantar em áreas de baixadas, de calçadas estreitas e largas, e em áreas de solo profundo e nos rasos, de forma que, para cada uma delas, teremos uma árvore adequada”, afirma o titular da Semma, o engenheiro agrônomo Sérgio Brasão.

As árvores para Belém são produzidas em massa na Granja Modelo. “Ela é nosso modelo de produção de mudas, uma estratégia da prefeitura para produzir mudas com baixo custo e alta qualidade, com pessoal técnico e especializado. Queremos dobrar a arborização que existe na cidade, localizada próximo à linha do Equador e considerada quente. Precisamos conviver com ambientes sombreados”, ressalta Brasão.

Semma desenvolve três grandes projetos de arborização e manutenção contínua – Atualmente, a Semma desenvolve três grandes projetos de arborização e manutenção contínua para as principais avenidas da cidade: Almirante Barroso, Pedro Álvares Cabral e Doutor Freitas.

No início deste mês, como parte da programação do Setembro Verde, o setor de Arborização da Semma realizou ação ambiental no rio São Joaquim, no trecho entre as avenidas Júlio César e Arthur Bernardes, como o plantio de 43 mudas. A ação teve como objetivo evitar o assoreamento do canal com o plantio de mudas de espécies arbóreas, que diminuem o deslizamento de terra para o leito do canal.

Já para a área central da cidade há projetos de paisagismo, com plantio de vegetação que tem folhagens maiores, como copo-de-leite, filodendro gold e jiboinha, ideais para sombreamento, ao longo das principais avenidas, como Nazaré e José Malcher, entre outras, e todas as travessas que passam por essas vias.

Unidades de Conservação serão criadas para regularem as temperaturas dos ambientes – Em Belém, o Bosque Rodrigues Alves é uma Unidade de Conservação que, ao mesmo tempo, foi levada à categoria de Jardim Botânico. Ainda nesta atual gestão municipal, Brasão informa que outras Unidades de Conservação serão criadas, para que elas atuem como regulador das temperaturas dos ambientes onde elas estão.

“As Unidades que existem serão preservadas. Estamos com o planejamento de preservar e decretar como Unidades de Conservação a ilha de Cotijuba e uma área na beira do rio Maguari, no Tenoné. Outras virão em seguida, se somando ao Bosque e ao Museu Emílio Goeldi. Assim, esperamos obter qualidade de vida e ambiente mais agradável para a cidade”, frisa o secretário.

Legislação – Desde 29 de março de 2012, a capital conta com a Lei nº 8.909, que dispõe sobre o Plano Municipal de Arborização Urbana de Belém. O documento é um instrumento previsto no Plano Diretor de Belém e faz parte do Sistema de Áreas Verdes da Cidade. A importância é por apresentar diretrizes não somente para a manutenção da arborização existente, mas critérios de expansão e manejo a respeito do quanto, como e onde plantar na área urbana de Belém, atendendo, ainda, Icoaraci, Outeiro e Mosqueiro.

A cidade possui, também, o Manual com Normas Técnicas, que norteia a aplicação do plano como, por exemplo, o vegetal mais adequado à localidade, dando prioridade à manutenção e proteção das mangueiras – espécie que tornou Belém conhecida como a “Cidade das Mangueiras” – e vegetais nativos da Amazônia.

Texto: Cleide Magalhães – Agência Belém

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