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Na última sexta-feira ( 11), policiais fortemente armados tomaram violentamente o acampamento Terra Prometida, do Movimento dos Trabalhadores Sem-terra, localizado na fazenda Mutamba, município de Marabá, no sudeste do Pará.
A operação da Polícia Civil designada “Fortis Status” na fazenda de propriedade da família Mutran, visava executar três prisões preventivas e 18 mandados de busca e apreensão, porém, o que acabou resultando foram quatro prisões de pessoas que não eram alvo dos mandados de prisão, muitos indícios de tortura, duas mortes confirmadas pelo IML e ainda pelo menos três pessoas desaparecidas.
Duas mortes foram confirmadas pelo IML, mas ainda há desaparecidos
A dirigente estadual do MST Polly Soares disse ao Ponto de Pauta que não houve reação nenhuma por parte dos sem-terra, ao contrário do que tem sido divulgado. “A versão que saiu na imprensa fala de confronto. Não houve confronto. O que aconteceu na Mutamba com as famílias do Terra Prometida não foi confronto, foi execução, foi premeditado, e eles não tiveram condição, nem tiveram tempo de reagir à ação da polícia. A tese do confronto, ela não baseia, porque como é que há confronto se o trabalhador é surpreendido dormindo dentro de uma rede e é assassinado dormindo?”, diz a militante MST sobre a operação que foi realizada por volta das 4 horas da manhã. Um vídeo enviado ao ponto de pauta mostra roupas de cama com furos de balas e marcas de sangue.
Já o fato do número de vítimas fatais divulgado pelos canais de comunicação do MST e Comissão Pastoral da Terra- CPT se contradizer aos divulgados em alguns canais da imprensa, aconteceu em decorrência da própria tortura psicológica que os policiais impetraram contra os camponeses, segundo Soares. A camponesa diz que ouviu relatos de que os policiais diziam a todo tempo que “iam matar 18”, e que já tinham “matado cinco”. Embora até agora somente dois corpos tenham sido confirmados como mortos pelo IML, de acordo com os relatos, há pelo menos três pessoas desaparecidas.
No depoimento dado por uma das vítimas da operação policial à ouvidoria do Ministério do Desenvolvimento Agrário- o MDA, ela relata que, ao ser levada pelos policiais “ao local onde estavam os mortos”, ela notou que haviam muitas pessoas ao chão, algumas deitadas e outras amarradas.A vítima diz que não conseguiu distinguir quem estava morto e quem estava apenas ferido, porém, ela diz ter que pelo menos três dos deitados ao chão estavam parecendo mortos, deitados de “barriga pra cima, sem se mexer”. Ainda segundo Polly, o delegado Antônio Mororó, que coordenou a operação, esteve presente durante todo o tempo em que ocorreu a ofensiva.
Maria de Fátima, uma das acampadas do Terra prometida também afirma que não houve reação em nenhum momento por parte dos camponeses em relação à operação policial, embora, segundo o depoimento, os oficiais os tenham mantido amarrados e com armas apontadas em suas direções, em torno de quatro horas. De acordo com os relatos, há indícios de tortura e chacina, com tiros executados contra as mãos e os pés dos camponeses, vítimas com as costelas quebradas, e assassinatos à queima roupa.
Acampados ainda estão sob ameaça
Maria de Fátima também relatou ao Ponto de Pauta que até a tarde desta segunda-feira (14), helicópteros e viaturas da polícia ainda rondam o local, causando medo aos acampados.”A situação aqui na Mutamba tá tensa. Porque os helicópteros ‘tá andando’, tem assim, segurança pública, e a gente fica apavorado, não sabe o que eles ‘tão fazendo’, vários carros da polícia lá na sede, que a gente não entende, porque é que eles tão lá protegendo o fazendeiro, e os trabalhadores, não”, disse Fátima.
Por Juçara Abe








