Fotos: Reprodução internet
Por Almino Henrique
Cara Gaby,
Talvez minha primeira carta não tenha chegado até você. Suspeito disso por conta do meu limitado engajamento virtual e da possibilidade de que a corrente de leitores e divulgadores do post não tenha conseguido alcançar o objetivo principal: fazer com que você lesse meu singelo escrito. No entanto, preciso dizer que o motivo desta segunda tentativa é tão urgente quanto o da primeira: a memória do poeta jurunense Bruno de Menezes – fundador da famosa Academia do Peixe Frito – está sob um ataque cerrado, a ponto de o novo prefeito propor uma readequação do Palacete Pinho, extinguindo a escola de arte e o memorial desse jurunense tão importante quanto você.
Como mencionei no meu primeiro escrito, sou seu fã incondicional e admiro profundamente a forma como você honra a pátria chamada Pará, destacando com tanto orgulho o querido bairro do Jurunas. Sua promoção da negritude feminista é inspiradora, e hoje o Jurunas é conhecido mundialmente, sustentando um Grammy mais do que merecido.
No entanto, é preocupante ver essa conjuntura alarmante, patrocinada por pessoas brancas, privilegiadas desde o nascimento, que nunca enfrentaram dificuldades financeiras ou sofreram preconceitos por conta da pele. Essas mesmas pessoas agora ameaçam apagar a memória desse jurunense extraordinário, que tão bem representa a essência do Pará.
É profundamente triste testemunhar esse ataque sem precedentes e perceber a ausência de reação de algumas pessoas famosas ou artistas locais que têm influência e poderiam, ao menos, se posicionar contra as barbaridades promovidas pelo Governo do Estado, agora também estendidas ao município. Sempre repito que todo poder é efêmero e ilusório, mas muito mais ilusório é o silêncio motivado pela intenção de agradar tiranos.
Por isso, peço novamente sua ajuda. Primeiro, para preservar a memória desse grande jurunense e, mais importante, para proteger iniciativas tão legítimas como as realizadas pela escola de arte no Palacete Pinho, frequentada em grande parte pela molecada do Jurunas e da Cidade Velha.
Espero que essas palavras cheguem a você, Gaby. Sua voz tem a força de um Pará que não se curva, e acredito que, juntos, podemos lutar por aquilo que realmente importa.
Com respeito e determinação ,
Nego Almino








