Foto: divulgação

Glauber Braga (PSOL-RJ), em seu quinto mandato consecutivo, enfrenta um processo de cassação no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. O parecer emitido pelo relator, deputado Paulo Magalhães (PSD-BA), é um ataque contra quem luta pela democracia e justiça social. Leia a nota pessoal do deputado publicada em suas redes sociais:

Amanhã, quarta-feira, 9 de abril, o Conselho de Ética vai votar um relatório que propõe a minha cassação. O motivo alegado é a minha reação a um provocador do MBL que por 7 vezes foi a atividades do meu mandato com o objetivo de me atacar. No dia em questão, quando reagi ao sujeito no espaço da câmara, ele agrediu verbalmente de forma violenta minha mãe que estava com um Alzheimer já bastante avançado e veio a falecer poucos dias depois.

O argumento de que eu agredi um “cidadão” é somente uma desculpa e na câmara todos sabem disso. O real motivo da minha provável cassação é político: ousei confrontar Arthur Lira e a sua articulação do orçamento secreto. Fui o deputado que mais tratou do tema no plenário (21 vezes) e sou hoje testemunha de um inquérito aberto pela Policia Federal sobre o assunto, a partir de um pedido do Ministro do STF Flávio Dino. Foi o PSOL o autor da ação que contesta esse esquema de desvio institucionalizado de dinheiro público. Questionar essa prática e demais falcatruas de Arthur Lira foi o que me trouxe a essa condição de deputado a ser calado.

Vejam só: o relator do meu caso (Paulo Magalhães do PSD da Bahia), que pede a minha cassação, se absteve no julgamento de Chiquinho Brazão justificando não estar ali “pra cassar colegas”. Esse mesmo deputado indicou milhões de reais de recursos do orçamento secreto na última lista suspensa por Flávio Dino no final do ano passado. A animosidade dos pares em relação ao mandato se deve ao fato de que esse esquema articulado por Lira atendeu a vários parlamentares. A oportunidade de calar o opositor apareceu no dia em que a emoção tomou conta de mim na defesa da honra de minha mãe.

Some-se a isso um outro elemento também importante: na impossibilidade de salvar Chiquinho Brazão surgiu a oportunidade de colocar na degola um nome do outro lado do espectro politico pra “equilibrar o jogo”. Se trata de uma farsa em todos os sentidos.

A concretização dessa cassação é a certeza de que as demais vozes que se insurgirem contra práticas corruptas dentro do espaço parlamentar estarão ainda mais ameaçadas.”

Fonte: Redes sociais do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ)

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