Fotomontagem: Pdp

Açaí, tucupi e maniçoba foram proibidos de serem vendidos nos restaurantes e quiosques oficiais da COP 30, que ocorrerá em novembro deste ano. A restrição foi determinada pela Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), sob a alegação de “risco de contaminação por doença de Chagas (o protozoário Trypanosoma cruzi)”. É a OEI a responsável por contratar os 87 estabelecimentos que atuarão nos espaços oficiais da Conferência, a Blue Zone e a Green Zone.

Na prática, a medida exclui muitos estabelecimentos paraenses, que têm em seu cardápio comidas tradicionais da Amazônia, e proíbe um dos nossos patrimônios culturais mais importantes: a culinária regional. O chef Herlander Andrade, responsável pela implantação do Comitê para Preservação, Pesquisa e Divulgação da Culinária Paraense e proprietário do Boteco do Camarão, foi um dos que se indignou com a decisão.

Isso é xenofobia, desrespeito, ignorância, burrice da OEI e de seus membros. Somos uma das melhores gastronomias do mundo, chefs internacionais vêm à Amazônia buscar os insumos da nossa rica biodiversidade. Realmente, isso é brincadeira. É porque é a Amazônia, é porque é o Norte. Mesmo que todos sejamos caboclos amazônidas, mesmo que sejamos índios, com muito orgulho, ninguém tem direito a vir nos desrespeitar”. 

Joanna Martins, sócia-proprietária da Manioca — empresa dedicada à produção de comidas tradicionais amazônicas — e diretora do Instituto Paulo Martins, criado em homenagem ao importante chef amazônida falecido em 2010, também se manifestou expressou em um post nas redes sociais:

TÔ INDIGNADA!!! Os povos amazônicos estão sendo violentados! E acho que todo brasileiro que tem um mínimo de respeito pelos povos da Amazônia deveria estar sentindo o mesmo. E isso é puro PRECONCEITO CULTURAL E IGNORÂNCIA. Algo inadmissível! A alegação é de segurança alimentar, mas se estes produtos são comercializados local, nacional e internacionalmente, por empresas que seguem regulamentação sanitária nacional, essa alegação é desculpa furada.

A proibição se estende ainda a molhos caseiros, bebidas abertas ou sem nota fiscal, leite cru e derivados não pasteurizados, doces artesanais feitos com cremes ou ovos mantidos fora de refrigeração, gelo produzido de forma artesanal ou não industrializado, alimentos preparados previamente e sem refrigeração adequada, além de produtos artesanais que não possuam rotulagem ou registro sanitário.

Desde 2015, Belém detém o selo da Unesco de “Cidade Criativa da Gastronomia” e vem recebendo reconhecimento internacional por sua riqueza em ingredientes e sabores únicos. Além disso, vale lembrar que, assim como em qualquer outro lugar do Brasil, os estabelecimentos comerciais devem seguir normas da Vigilância Sanitária e outras regulamentações específicas do setor, como controle de higiene, armazenamento, qualidade da água e transporte dos alimentos, visando garantir a segurança alimentar e a saúde pública.

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