Foto: Embaixada dos Povos

Belém recebeu nesta semana a visita do padre Júlio Lancellotti, conhecido nacionalmente por sua atuação junto à população em situação de rua. Durante dois dias de agendas, o religioso reuniu centenas de pessoas em momentos de oração, reflexão e escuta com movimentos sociais, colocando no centro do debate a luta por justiça social e climática na Amazônia.

Foto: Embaixada dos Povos

Na noite do dia 17, mais de 800 pessoas participaram da missa celebrada na Paróquia de Santo Antônio de Lisboa. Lancellotti entrou de braços dados com moradores de rua e, em sua homilia, destacou a responsabilidade do poder público no cuidado com os mais vulneráveis. “Os irmãos em situação de rua são numerosos nas ruas de Belém. Quem partilha com eles o pão? (…) Aos poderes públicos, à Prefeitura de Belém do Pará, que não feche a casa que atende o povo de rua”, afirmou. O padre também alertou para o impacto das mudanças climáticas sobre esse grupo, exposto ao calor extremo e às chuvas sem qualquer proteção.

No dia seguinte, 18, o religioso esteve na Embaixada dos Povos, onde uma multidão se reuniu para ouvi-lo. O encontro reforçou a necessidade de unir a luta em defesa da Amazônia à pauta social. Lancellotti lembrou que a exploração de petróleo e gás na região agrava desigualdades históricas e ameaça comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas. “Se o irmão em situação de rua não tem acesso à água potável, todos nós estamos com sede”, disse, em referência à interdependência das lutas por dignidade e preservação ambiental.

A visita fez parte da campanha global Delimite (Draw the Line), que conecta mais de 250 ações em mais de 100 países para cobrar dos líderes mundiais compromissos concretos no enfrentamento da crise climática. No Brasil, a iniciativa conta com apoio de organizações amazônicas, coletivos urbanos e campanhas como “A Resposta Somos Nós”, que denuncia a contradição entre o discurso de liderança climática do governo Lula e a abertura da Foz do Amazonas para exploração de petróleo.

Ao lado de movimentos sociais locais, Padre Júlio defendeu uma transição justa, que considere os povos da floresta, comunidades tradicionais e populações marginalizadas. Sua presença em Belém foi marcada por palavras de esperança e resistência. “A resistência é não desistir, e não desanimar. E isso eu aprendi com vocês”, disse.

A passagem de Lancellotti pela capital paraense, a caminho da COP30, deixou uma mensagem clara: a luta climática está diretamente ligada à luta pela vida e pela dignidade humana.

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