Foto: Mulheres Negras em Marcha por Reparação e Bem-Viver
O auditório do Ministério Público Federal (MPF) em Belém sedia, nesta sexta-feira (10), às 16h, o lançamento do Comitê de Mulheres Negras por Justiça Climática, uma nova frente de articulação política da Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver 2025. O evento é gratuito e será realizado em formato híbrido, com participação presencial e online.
A criação do comitê ocorre às vésperas da COP30, conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que será realizada em novembro, na capital paraense. O lançamento simboliza a presença ativa das mulheres negras, quilombolas e de comunidades tradicionais nos debates sobre meio ambiente, justiça social e políticas de enfrentamento à crise climática.
Segundo os organizadores, o movimento reforça a ideia de que “não há justiça climática sem justiça racial e de gênero”, destacando o papel histórico das mulheres negras na defesa dos territórios e dos bens comuns.
“É uma honra para o Ministério Público Federal receber um evento de tamanha importância. Convidamos toda a população a participar deste debate fundamental sobre justiça climática e social”, afirmou o procurador-chefe do MPF no Pará, Felipe de Moura Palha.
Para Sara Sacramento, integrante do coletivo Pretas pelo Clima, o lançamento representa um marco político e simbólico.
“O comitê nos faz uma provocação urgente ao inserir os desafios das intersecções entre gênero, raça, meio ambiente e mudanças climáticas na agenda dos movimentos de mulheres negras para a próxima década. Esperamos que esse momento, em Belém, às vésperas da COP, engrosse o caldo das discussões a partir da nossa gramática, das nossas vozes e do nosso fazer político”, afirmou.
O contexto da iniciativa é o da desigualdade climática. Segundo dados da Oxfam Brasil (2023), 67% das pessoas que vivem em áreas de risco ambiental no país são negras, e 56% das famílias chefiadas por mulheres negras enfrentam insegurança alimentar. Além disso, elas arcam proporcionalmente com uma carga maior de impostos indiretos, o que agrava os impactos socioeconômicos da crise climática.
Adriana t’OlúAiyé, do Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana (Fonsanpotma), reforça que o protagonismo das mulheres negras é essencial na agenda ambiental.
Lançamento do Comitê Mulheres Negras por Justiça Climática
Data: 10 de outubro de 2025 (sexta-feira)
Horário: 16h
Local: auditório do MPF em Belém (PA) – Rua Domingos Marreiros, 690, bairro Umarizal
Formato: híbrido – presencial e com transmissão online
Inscrições: disponíveis aqui








