Foto: Greenpeace Brasil
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concedeu, nesta segunda-feira (20), licença de operação para que a Petrobras perfure um poço exploratório em águas profundas na Foz do Amazonas. O empreendimento está localizado no bloco FZA-M-059, a cerca de 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas e 175 quilômetros da costa, em mar aberto. A perfuração deve durar cerca de cinco meses. Segundo a estatal, o objetivo é coletar dados geológicos e avaliar o potencial de existência de petróleo e gás em escala comercial. “Não há produção de petróleo nessa fase”, informou a empresa.

A decisão expõe uma contradição gritante às vésperas da COP30: o mesmo país que se apresenta ao mundo como protagonista da transição energética verde segue ampliando a fronteira da exploração de combustíveis fósseis, uma atividade que emite dióxido de carbono (CO₂) em todas as etapas de seu ciclo, da extração ao consumo final.
Mais uma vez, o projeto chega embalado no discurso do “progresso”, repetido à exaustão em todos os grandes empreendimentos instalados na Amazônia. Mais uma vez, a promessa de “desenvolvimento” que nunca chega para quem mora aqui. O que se repete, invariavelmente, é o saque: a floresta convertida em ativo, os rios ameaçados, as comunidades ignoradas. Mais uma vez, as grandes corporações irão acumular lucros enquanto as populações amazônicas terão de lidar com os impactos sociais e ambientais, recebendo apenas as migalhas de um modelo que insiste em tratar a região como colônia do país.
Ambientalistas dizem que licença é sabotagem ao Brasil na COP30
Ambientalistas reagiram com fortes críticas à decisão do Ibama. Para eles, a decisão tomada a apenas 20 dias da conferência do clima COP30, em Belém, pode manchar a reputação ambiental do Brasil, ao buscar a expansão da exploração petrolífera enquanto fala de transição energética.
“A licença para a perfuração do bloco 59 na bacia sedimentar da Foz do Amazonas traz graves prejuízos sob duas perspectivas. É uma sabotagem à agenda climática, uma vez que essa licença está sendo compreendida pela Petrobras como a pioneira de um conjunto de outras licenças na Foz e em toda a margem equatorial. E é uma sabotagem à liderança do Brasil na COP 30”, disse Suely Araújo, coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima.
Na avaliação de Araújo, que já foi presidente do Ibama, a decisão deve ser alvo de questionamentos na Justiça.
“Como nossos negociadores terão legitimidade para falar que um tema como a eliminação gradual dos combustíveis fósseis deve ser pautado na COP30? O preço do aluguel apressado de uma sonda parece estar importando mais para o governo do que a crise climática. A sociedade civil tomará medidas judiciais contra essa licença absurda”, afirmou.
Com informações da Folha de S. Paulo








