Pablo do MST é a aposta do movimento para ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Pará – Foto: Ícaro Matos
“É a retomada da marcha interrompida de Eldorado dos Carajás”. É assim que Pablo Neri, militante e dirigente do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, o MST, define sua pré candidatura, respaldada pelo movimento pra disputar uma vaga de deputado estadual no Pará. Ao fazê-lo, ele não só relembra o massacre que ficou internacionalmente conhecido como um dos episódios mais sangrentos de toda a história de conflitos agrários do Brasil e do mundo, mas posiciona o estado do Pará como um território estrategicamente importante dentro do cenário político construído a partir dos movimentos sociais.
Filho de militantes, Pablo tem 30 anos e nasceu no Maranhão, mudando-se com apenas um ano de idade para o assentamento Palmares II no município de Parauapebas, sudeste do Pará, onde reside até hoje.
Historiador de formação e atualmente cursando mestrado em Planejamento e Desenvolvimento Urbano pela Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, começou cedo sua formação coletiva dentro do movimento.
Atuou na rádio comunitária Palmares, no Conselho Escolar de seu assentamento, e na Direção Estadual da Juventude do MST no Pará, onde participou da fundação do Levante Popular da Juventude em 2012, e na construção da Juventude Atingida pela Mineração, gérmen do MAM, o Movimento pela Soberania Popular da Mineração. Entre outros feitos, ele foi representante da sociedade civil nos Diálogos Amazônicos, evento que reuniu diversos líderes e autoridades dos países da Amazônia, e compôs Comissão do Senado Federal representando os atingidos por barragens.

Ao ser questionado sobre a ideia do movimento ocupar mais uma cadeira no legislativo, o militante demonstra consciência sobre a importância de representantes genuínos para a construção de projetos que beneficiem as camadas populares. Segundo ele, é preciso “ocupar esse espaço do parlamento, estaduais e federal, que tem sido permanentemente usado pelas elites para manobrar em seu favor, num vício colonial eterno”.
Ele também considera que a formação dentro dos espaços de práticas coletivas e comunitárias pode legislar a partir de uma visão de dentro, construindo um mandato comprometido com as camadas marginalizadas da sociedade. “Um mandato parlamentar colabora na disputa de projeto e no posicionamento de pautas dos trabalhadores, organizados ou não. Cabe a todas e todos os trabalhadores perceberem que em todos os bairros, assentamentos e vilas em que há conflitos, insegurança e morte é necessário a construção de um novo projeto de vida e emancipação, a partir de quem constrói e vive nestes lugares”, afirma.
Filiado ao PT, Neri teve sua pré-candidatura anunciada no último sábado, 13, em evento em Marabá. Segundo ele, a aspiração ao pleito seguirá os direcionamentos do partido para as eleições de 2026, cujas prioridades são a reeleição de Lula, e o aumento das cadeiras legislativas na base governista nos parlamentos. Ao ser indagado sobre o atual momento político, ele demonstra preocupação com os retrocessos levados a cabo pela bancada ruralista brasileira e pelo governo extremista de Donald Trump, mas reconhece os avanços do governo Lula.
“Vivemos um momento emblemático. Ao mesmo tempo que retomamos pautas históricas como a redução da jornada de trabalho, a taxação dos super-ricos e a defesa do meio ambiente, as forças da direita pautam retrocessos perigosos, como a tese do marco temporal, a criminalização dos movimentos sociais e o fim da fiscalização ambiental para grandes obras de impacto socioambiental e econômico significativos.
Temos um cenário geopolítico desfavorável para América latina e uma ampliação dos ataques imperialistas ao continente, têm-se ganhado apoio de setores nacionais que podem fazer dessa investida um momento para emplacar projetos totalitários e antidemocráticos no país”, pontua.








