A primeira edição do Enamed expôs fragilidades na formação médica em todo o país; cursos podem sofrer sanções, redução de vagas e restrições a programas federais. Foto: UEPA
O resultado da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) acendeu um alerta sobre a qualidade dos cursos de Medicina no Brasil, e o impacto dessa avaliação também atinge o Pará, onde 9 instituições foram avaliadas e 3 cursos ficaram com notas 1 ou 2, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), do Ministério da Educação (MEC).
Divulgado nesta segunda-feira (19), o Enamed avaliou 351 cursos de Medicina em todo o país. Do total, 107 cursos receberam conceitos 1 ou 2, considerados insatisfatórios e passíveis de sanções, enquanto 243 cursos obtiveram notas entre 3 e 5, classificadas como regulares ou boas. Um curso ficou sem conceito (SC) por ter menos de 10 estudantes avaliados.
Como ficaram as notas no Brasil
🔴 24 cursos com conceito 1 (o menor índice);
🔴 83 cursos com conceito 2;
🟢 80 cursos com conceito 3;
🟢 114 cursos com conceito 4;
🟢 49 cursos com conceito 5;
⚪ 1 curso sem conceito.
Veja as universidades do Pará avaliadas e seus conceitos no Enamed
O Enamed é uma prova anual que avalia a formação dos futuros médicos e funciona como instrumento de regulação e monitoramento da qualidade do ensino médico no país, com reflexos diretos na assistência prestada à população pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pela rede privada.
O que muda para cursos mal avaliados
As instituições que receberam conceito 1 ou 2 estarão sujeitas a penalidades administrativas. Cursos com nota 2 terão redução de vagas, enquanto aqueles com nota 1 poderão sofrer suspensão total do ingresso de novos estudantes.
Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, dos 107 cursos com notas baixas, 99 serão efetivamente penalizados, já que faculdades estaduais e municipais não estão sob gestão direta do MEC.
As medidas anunciadas incluem:
- 8 cursos impedidos de receber novos alunos e suspensos do Fies e de outros programas federais;
- 13 cursos com redução de 50% das vagas, também suspensos do Fies;
- 33 cursos com redução de 25% das vagas, além da suspensão de programas federais;
- 45 cursos proibidos de ampliar o número de vagas.
Em coletiva, Camilo Santana afirmou que as medidas não têm caráter punitivo isolado, mas buscam induzir melhorias:
“É uma maneira da instituição se aperfeiçoar. Um instrumento para corrigir falhas e garantir ensino de qualidade, protegendo a população que será atendida por esses profissionais”.
Até o fechamento dessa matéria, nenhuma instituição com notas 1 e 2 havia se posicionado publicamente sobre os resultados do Enamed.
Com informações de G1.










