À memória de Heliana Barriga

A poetisa bateu asas.
Se foi, dirão alguns.
Não, ela se metamorfoseou em uma borboleta azul turquesa e foi vista em voos elípticos entre as árvores do Parque do Utinga.

A poetisa bateu asas.
Se foi, certamente como corpo físico, presença terrena, dirão outros.
Não, essa é uma meia verdade.
Sua presença no solo que tanto amou não se desintegrará em ausências.

A poetisa bateu asas.
Se foi e não se foi, dialética do amor prometido e entregue.
Se celebrada como se rega uma planta,
tarefa diária, rotina dos afetos
Se seu exemplo se tornar lindamente perene
Como há de ser
A poetisa baterá asas, sim
para iluminar outras galáxias
Mas deixará aqui, com sua multidão de eternas crianças,
sua chama quente do amor à humanidade.

Aldenor Junior é jornalista

 

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