Mulheres sustentam grande parte das políticas públicas de cuidado. Para servidoras, precarizar essas carreiras aprofunda desigualdades de gênero no serviço público. Foto: Sintsuas

Durante as mobilizações do Dia Internacional da Mulher, realizadas no domingo (8) em Belém, servidoras municipais levaram para as ruas a denúncia sobre o impacto das mudanças promovidas pela Lei nº 10.266/26 e pelo chamado “pacote de maldades”, de Igor Normando (MDB), na vida das trabalhadoras do serviço público. Cartazes e falas de lideranças sindicais classificaram as medidas como uma política misógina, de desvalorização do trabalho feminino e aprofundamento das desigualdades de gênero, e cobraram a revogação definitiva dos projetos.

Essas medidas, suspensas por decisão judicial, atingem diretamente as mulheres, que são maioria no serviço público. As áreas responsáveis por políticas públicas essenciais como educação básica, atenção à saúde e proteção social, são historicamente marcadas pela presença feminina. Dados nacionais indicam que cerca de 80% dos docentes da educação básica são mulheres, enquanto profissões da saúde e do cuidado social, como enfermagem, serviço social e agentes comunitárias, também têm predominância feminina.

Por consequência, essa política de precarização dos trabalho da maioria dos servidores e servidoras também impacta, diretamente, as mulheres pobres de Belém, que dependem desses serviços para trabalhar e sustentar suas famílias. Em muitos casos, são elas as principais responsáveis pelo cuidado com os filhos e dependem de creches, unidades de saúde e programas de assistência social para conseguir conciliar trabalho e cuidado.

A denúncia também dialoga com um debate mais amplo sobre a chamada economia do cuidado, conceito utilizado por pesquisadores para descrever as profissões ligadas ao cuidado com a vida, como ensinar, cuidar da saúde, proteger crianças e garantir assistência social. No Brasil e em grande parte do mundo, essas atividades são exercidas majoritariamente por mulheres.

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