Coalizão militar, chamada de “Escudo das Américas”, reúne 12 países da América Latina. Foto: White House
Por Aldenor Junior
Donald Trump não está blefando. Sua “nova” doutrina de segurança representa grave ameaça à soberania dos países em escala global, muito especialmente na América Latina, definida como sua esfera de influência mais próxima.
Sob o pretexto de combater o “narcoterrorismo”, a Casa Branca tece uma enorme teia de relações com os governos de extrema-direita no continente, numa espécie de pacto de vassalagem que pode levar a novas agressões militares, a exemplo do que ocorreu no início do ano na Venezuela. Ou, em paralelo, uma pouco sutil combinação de guerra de baixa intensidade (através das Big techs e de seus tentáculos locais) com ameaças de intervenção direta quando se fizer necessário.
O argumento de combater facções criminosas ligadas ao narcotráfico, elevadas à categoria de entidades terroristas, cumpre o papel de álibi perfeito. Não é por acaso que o trumpismo se move para carimbar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terrorista, com a cumplicidade da família Bolsonaro.
Apuração exclusiva do jornalista Jamil Chade, publicada no ICL Notícias, revela os termos de um acordo de cooperação militar firmado entre o Paraguai e os Estados Unidos que serve de exemplo da agressividade da política estadunidense. Sob o pretexto de combater o Hizbollah na região da Tríplice Fronteira (Argentina, Brasil e Paraguai), tropas dos EUA terão livre trânsito naquela área sensível, sem precisar prestar contas para as autoridades paraguaias. Bases militares poderão ser erguidas e armamentos estocados a poucos quilômetros da fronteira brasileira.
É preciso excesso de ingenuidade ou completa má fé para não enxergar os enormes riscos à integridade do Brasil. Só um viralatismo vende-pátria é capaz de aplaudir algo tão imoral e marcado por uma evidente desfaçatez imperial.
As eleições de outubro se aproximam. Juntando as peças que se movem no tabuleiro, é incontornável eleger a ameaça de intervenção estrangeira na disputa brasileira como um perigo real e iminente. Tanto faz se de forma velada ou ostensiva. Desconhecer esse risco pode ser fatal para a sempre ameaçada democracia brasileira.
Aldenor Junior é jornalista.








