Mês também teve elevado número de baleados em ações policiais, revela novo relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado. Imagem: zef art / Shutterstock.com

FOGO CRUZADO – Mototaxistas, trabalhadores do comércio, eletricista e barbeiro estão entre as vítimas da violência armada em fevereiro na região metropolitana de Belém. Ao menos sete trabalhadores foram baleados enquanto exerciam suas atividades profissionais.

Embora o número de tiroteios tenha apresentado redução de 9%, passando de 44 registros em fevereiro de 2025 para 40 no mesmo período de 2026, o total de vítimas da violência armada teve pouca variação. Foram 40 pessoas baleadas em fevereiro deste ano, contra 41 no mesmo mês do ano passado.

Casos como o do mototaxista que foi atingido por uma bala perdida, junto com uma passageira, durante uma perseguição policial do 43º BPM no bairro Coqueiro, em Ananindeua, no dia 27 de fevereiro, fazem parte do cenário revelado pelo segundo relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado, que mostra que, apesar da queda no número de tiroteios, a quantidade de pessoas baleadas praticamente não mudou na região.

Também no dia 27, Cleidson Vieira foi morto durante um ataque armado sobre rodas na Estrada da Pireli, no bairro Decouville, em Marituba, enquanto trabalhava em um lava-jato. No mesmo dia, uma mulher identificada apenas como Quésia foi baleada enquanto trabalhava em uma farmácia localizada no Conjunto Jardim América, na Rodovia Mário Covas, em Ananindeua.

“Trabalhar não pode ser fator de risco. Na região metropolitana de Belém, trabalhadores estão sendo baleados dentro dos seus próprios locais de trabalho, e isso exige uma resposta do Estado que vá além das operações policiais, que responderam por metade dos baleados no mês. É preciso investir em segurança pública que proteja vidas, não que as coloque em risco. Medidas de prevenção de conflitos e proteção efetiva aos trabalhadores precisam sair do papel com urgência”, avalia Eryck Batalha, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Pará.

Outro dado que chamou atenção ao longo do mês foi o número de tiroteios registrados durante ações ou operações policiais. Dos 40 casos mapeados em fevereiro, 17 ocorreram com participação policial, o que representa 43% do total.

Considerando as vítimas, a proporção é ainda maior. Das 40 pessoas baleadas no mês, metade foi atingida durante ações ou operações policiais, 15 morreram e cinco ficaram feridas.

Dados detalhados

Municípios

Entre os municípios que compõem a Região Metropolitana de Belém, a capital concentrou 40% dos registros. É como se a cada 10 tiroteios ocorridos na região metropolitana, quatro tivessem ocorrido no município de Belém. Os municípios afetados pela violência armada foram:

Belém: 16 tiroteios, 11 mortos e 5 feridos
Ananindeua: 12 tiroteios, 11 mortos e 3 feridos
Castanhal: 4 tiroteios e 2 mortos
Barcarena: 3 tiroteios e 4 mortos
Santa Izabel do Pará: 3 tiroteios e 2 mortos
Marituba: 2 tiroteios e 2 mortos

Bairros

Sete bairros da região metropolitana de Belém concentraram o maior número de tiroteios. Os mais afetados foram:

Curuçambá (Ananindeua): 3 tiroteios e 3 mortos
Guamá (Belém): 3 tiroteios e 2 feridos
Coqueiro (Ananindeua): 2 tiroteios e 3 feridos
Maguari (Ananindeua): 2 tiroteios e 2 mortos
Marco (Belém): 2 tiroteios e 2 mortos
Saudade (Castanhal): 2 tiroteios e 1 morto
Jardim Miraí (Santa Izabel do Pará): 2 tiroteios e 1 morto

SOBRE O FOGO CRUZADO

O Fogo Cruzado é um Instituto que utiliza tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida.

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