Empresa responsável pela pesquisa eleitoral suspensa pela Justiça recebe R$ 133 mil mensais da Secretaria de Comunicação; contrato está vigente durante as eleições de 2026. Foto: Agência Pará

A AtlasIntel Tecnologia de Dados Ltda., empresa responsável pela pesquisa eleitoral cuja divulgação foi suspensa por decisão liminar da Justiça Eleitoral nesta sexta-feira (21), mantém um contrato com o Governo do Pará para realizar serviços de monitoramento da opinião pública.

O contrato nº 12/2025 foi firmado entre a AtlasIntel e a Secretaria de Estado de Comunicação (Secom) em 19 de dezembro de 2025 e permanece vigente até 19 de dezembro de 2026, durante todo o período das eleições deste ano.

O valor mensal estimado da contratação é de R$ 133 mil, segundo publicação da própria Secom no Diário Oficial do Estado. Considerando os 12 meses de vigência, o contrato pode alcançar R$ 1,596 milhão, caso o valor mensal estimado seja integralmente executado durante todo o período.

O objeto oficial do contrato é a contratação de empresa especializada na prestação de serviço de “monitoramento da opinião pública com metodologia de amostragem proprietária e singular, baseada em recrutamento digital”.

 

A revelação deste contrato é importante porque a AtlasIntel também realiza pesquisas eleitorais no Pará.

Nesta semana, o instituto divulgou a pesquisa PA-04533/2026, com cenários para o Governo do Estado e para o Senado. que foi posteriormente suspensa, em caráter liminar, pela Justiça Eleitoral.

A decisão de suspensão não tem relação com o contrato entre a AtlasIntel e o Governo do Pará. A pesquisa eleitoral PA-04533/2026 teve como contratante a Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Pará (Faciapa). Portanto, não há elementos para afirmar que o contrato da Secom tenha interferido em seus resultados.

O que essa informação levanta é a questão da independência, transparência e credibilidade. Pesquisas dependem não apenas da qualidade técnica de suas metodologias, mas também está relacionada à percepção pública de independência em relação aos interesses que disputam uma eleição.

É legítimo questionar se não seria mais prudente que uma empresa contratada e remunerada pela área de comunicação de um governo evitasse realizar, durante a vigência desse contrato, pesquisas eleitorais públicas sobre uma disputa na qual a própria chefe daquele governo concorre à reeleição.

O espaço está aberto para manifestação da AtlasIntel e do Governo do Pará sobre a contratação, a natureza dos serviços prestados e a realização de pesquisas eleitorais pelo instituto durante a vigência do contrato. Eventuais manifestações serão acrescentadas à matéria.

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