Jonas seria “testa de ferro” ligado a Jardel Rodrigues da Silva, presidente da CDP à época dos fatos investigados. Fotos: PF e Assessoria/CDP

A audiência de custódia de Jonas Eros de Almeida da Silva, preso em flagrante durante a Operação Sonar, revelou novos detalhes da investigação da Polícia Federal sobre supostos desvios de recursos públicos e lavagem de dinheiro na Companhia Docas do Pará (CDP), em Belém.

Segundo a decisão da 4ª Vara Federal Criminal, Jonas é apontado pela investigação como “testa de ferro” da organização criminosa (ORCRIM), responsável pela blindagem patrimonial e ocultação de valores.

Na residência de Jonas, a Polícia Federal encontrou R$ 1.295.550 em dinheiro vivo, distribuídos em duas malas localizadas no quarto utilizado por ele. Também foram apreendidos dois celulares, um notebook, documentos, mídias e dispositivos de armazenamento de dados, além de um Peugeot 208. Naquele momento, ele afirmou que as malas não lhe pertenciam e que desconhecia tanto o conteúdo quanto quem seria o proprietário.

A prisão ocorreu na segunda-feira (15), durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão. Na terça-feira (16), o juiz federal Carlos Gustavo Chada Chaves homologou o flagrante e determinou a conversão da prisão em preventiva, considerando presentes indícios do crime de lavagem de dinheiro.

Segundo o documento da audiência de custódia, as condutas investigadas não seriam um episódio isolado e teriam ocorrido “ao menos, desde meados de 2023”. A apuração aponta possível desvio de recursos públicos de R$ 16.955.313,65.

A Operação Sonar investiga suspeitas de desvio de recursos, cobrança de vantagens indevidas de fornecedores, direcionamento de contratações e lavagem de dinheiro no âmbito da CDP. Doze servidores foram afastados de suas funções e houve quebra dos sigilos bancário e fiscal de 35 investigados.

Jonas seria integrante do núcleo de blindagem patrimonial

Jonas aparece inserido no núcleo identificado pela investigação como responsável pela “blindagem patrimonial”, figurando, em tese, como possível pessoa interposta em uma estrutura societária destinada a separar a titularidade formal das empresas de seus verdadeiros beneficiários econômicos.

Uma das empresas citadas é a JSX Participações Ltda. Jonas aparece como administrador formal da empresa, enquanto Jardel Rodrigues da Silva, então presidente da CDP, detém 95% das quotas sociais. Para a investigação, essa configuração seria um indício de dissociação entre propriedade formal, administração e proveito econômico.

A investigação sustenta ainda que a JSX apresentaria características compatíveis, em tese, com a utilização de uma empresa de fachada para blindagem patrimonial e estaria relacionada a outras pessoas jurídicas e integrantes do mesmo núcleo familiar.

Ao analisar a necessidade da prisão preventiva, o magistrado afirma que Jonas teria atribuição relevante na estrutura investigada e seria, na expressão utilizada pelo próprio juiz, “testa de ferro do líder da ORCRIM”, responsável pela blindagem patrimonial e ocultação de valores que teriam sido desviados da CDP.

JSX Participações Ltda. é uma das empresas citadas na investigação usadas para ocultação patrimonial.

 

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