Alegações de Manoel Pioneiro, preso pela PF sacando R$ 300 mil em espécie, são conversa para boi dormir. Foto: Manoel Pioneiro ao centro, Hana e Helder Barbalho. Reprodução Instagram Manoel Pioneiro

Por Aldenor Jr

Manoel Pioneiro é um político muito conhecido e experiente. Foi prefeito de Ananindeua por quatro vezes, deputado estadual também por mandatos, presidiu a Alepa e acumulou muito poder durante as duas décadas de reinado tucano. Dizem que foi ele quem criou politicamente o atual candidato ao governo, Dr Daniel. A antiga dupla nunca esteve tão distante, confrontando armas na disputa acirrada que divide e conflagra o cenário eleitoral no Pará.

Por isso, aumentou a sensação de espanto diante da revelação de que a PF flagrara Pioneiro pessoalmente sacando R$ 300 mil na boca do caixa a escassos dias da eleição, sendo ele próprio candidato a deputado federal agora pelo Republicanos.

Há quem afirme ser inusitado que Pioneiro se exponha a tamanho risco sabendo que as autoridades monitoram movimentações atípicas neste período tão próximo do pleito.

Porém, mas estapafúrdia ainda foi a desculpa sacada pelos advogados do político que integra a primeira linha de apoiadores do trio Helder, Hana e Chicão: a dinheirama seria totalmente lícita e se destinava a pagamentos de serviços em uma de suas muitas fazendas e para outras “necessidades pessoais”.

Será que alguém vai engolir?

Por um instante, que tal dar um pouco de crédito a essa versão? Afinal, talvez se trate de contratação de mão de obra para a execução de trabalhos agrícolas em uma das várias fazendas que Pioneiro incluiu em sua declaração de bens à Justiça Eleitoral, que alcançou exatos R$ 10.318.991,53. Mas, será que esses trabalhadores não possuem Pix ou qualquer formalização empregatícia? Difícil deixar de imaginar a clássica cena de trabalhadores sob barracas de lona e tomando a mesma água que é servida aos animais. Talvez esteja faltando uma diligência do Grupo Especial de Combate ao Trabalho Escravo a uma das propriedades do Manoel Pioneiro.

Ao mesmo tempo, sendo um político veterano, é pouco crível que ele ainda pague suas despesas pessoais em dinheiro vivo, recusando os modernos e muito seguros meios de pagamento que estão à disposição de qualquer pessoa.

É mesmo fantástica essa reiterada desconfiança de alguns políticos no sistema financeiro nacional. Parece que vivem nos tempos em que era mais seguro guardar dinheiro embaixo do colchão. Ou, quem sabe, tudo não passa de conversa para boi dormir nessa imensa e tumultuada fazenda na qual se transformou a política paraense.

Aldenor Jr é jornalista.

Os artigos publicados na coluna “Opinião” não refletem necessariamente a posição do “Ponto de Pauta”. Os textos buscam estimular o debate sobre temas importantes para o país.

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