Coordenadora econômica da campanha propõe deixar de repor parte dos funcionários que se aposentam. Foto: Reprodução
A coordenadora econômica da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, defendeu a substituição gradual de servidores públicos por sistemas de inteligência artificial (IA), em vez da realização de novos concursos para preencher vagas abertas com aposentadorias. A proposta foi apresentada em entrevistas e encontros empresariais como uma forma de reduzir os gastos do Estado e diminuir o tamanho do funcionalismo público.
Durante entrevista ao podcast G4, em 30 de setembro, Daniella questionou a necessidade de contratar novos servidores para substituir aqueles que deixam seus cargos. “E aí substitui e faz outro concurso pra gente pagar? Ou dá pra ir substituindo por inteligência artificial no tempo?”, afirmou.
Daniella já havia apresentado ideias semelhantes em agosto. Durante participação no programa Pânico, da Jovem Pan, questionou quantas carreiras administrativas poderiam ser substituídas por inteligência artificial nos próximos cinco ou dez anos. No mesmo mês, durante o 25º Fórum Empresarial do Grupo Lide, voltou a defender a revisão de carreiras administrativas e operacionais, associando o avanço tecnológico à redução da estrutura estatal.
Embora a inteligência artificial possa agilizar procedimentos e automatizar tarefas repetitivas, a redução do número de servidores pode comprometer o atendimento à população e a qualidade dos serviços públicos.
A Constituição Federal estabelece o concurso público como regra para o ingresso em cargos efetivos, mas não exige a reposição automática de todas as vagas abertas por aposentadoria.
Argentina de Milei prepara novo corte de 20 mil funcionários públicos; 77 mil já perderam o emprego
O governo argentino, no qual Flávio Bolsonaro tem se inspirado, lançou nesta segunda-feira (19), um plano de demissão voluntária com o qual espera cortar 20 mil novos postos de trabalho na administração pública.
Os cortes se somariam aos mais de 77 mil postos de trabalho eliminados desde que o presidente Javier Milei assumiu o cargo, em dezembro de 2023. Quem aderir ficará proibido de voltar a trabalhar na administração pública por oito anos.
A Associação de Trabalhadores do Estado (ATE), sindicato que representa servidores públicos, anunciou uma marcha contra o plano. “Não é desligamento voluntário, é demissão extorsiva. A rejeição a este decreto é total”, escreveu no X o secretário-geral da entidade, Rodolfo Aguiar.
O funcionalismo público é um dos principais alvos da política de redução dos gastos do Estado adotada por Milei, conhecida como “motosserra”.
Com informações de ICL e G1.








