créditos: Mácio Ferreira/ Agência Belém

O prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues, acompanhado da presidente da Fundação Cultural do Município de Belém, Inês Silveira, pesquisadores e arquitetos vistoriam nesta sexta-feira, 15, as obras de reforma do prédio do Cinema Olympia, que iniciaram em fevereiro deste ano e têm previsão de duração de 12 meses.

O Cinema Olympia, localizado na rua Arcipreste Manoel Teodoro, no centro de Belém, é o mais antigo em funcionamento no Brasil. A obra de restauro, executada pela Prefeitura de Belém, por meio da Fumbel, tem valor investido de R$ 10 milhões do Instituto Cultural Vale e R$ 412.500 do Banco da Amazônia. O imóvel será totalmente recuperado, preservando a história do espaço, que possui 500 lugares e ainda guarda a sala de projeção de filmes, que será restaurada para que o público conheça o processo de exibição dos longas metragens.

Sala de projeção do Cine Olympia também será restaurada e incluída no programa de visitação do local, após a conclusão da reforma

História viva

“Iniciar uma obra de um prédio histórico, que é o cinema mais antigo do Brasil e que continua com a função de cinema, é realmente motivo de grande alegria. É motivo de muita honra ser prefeito e estar vivendo essa experiência, que é a verdadeira salvação de um prédio, que para além da arquitetura, é a verdadeira história viva do cinema universal”, informou o prefeito Edmilson Rodrigues.

Ele também agradeceu aos financiadores do projeto de restauração do Olympia. “Temos muito o que agradecer ao Instituto Pedra, que apresentou o projeto e o financiamento, através da Lei Rouanet pelo Instituto Vale Cultural e, ao mesmo tempo, uma boa participação do Governo Federal, através do BNDES”, esclareceu.

Desafio – Um dos desafios dos trabalhadores envolvidos na reforma é manter viva a memória afetiva do cinema, que marcou a vida de muitas gerações e entender os materiais utilizados nas alterações feitas ao longo dos 112 anos de existência do empreendimento.

“A edificação em si passou por várias reformas e alterações, isso tudo está guardado na história do prédio. Com o início das obras, a gente começa a descobrir mais coisas ali, além da pesquisa, vestígios de um forro, moldura e parede tudo vai juntando e montando uma história do edifício”, detalhou o coordenador de obras pelo Instituto Pedra, Alessandro Percinoto.

A arquiteta do Instituto Pedra, Beth Almeida, que acompanha de perto o andamento das obras, afirma que esse é um processo de está achando as cores e espaços que não se sabia que tinha. “Estamos pegando um pouco da história e tentando modernizar o cinema. Nós estamos fazendo uma pesquisa de material de piso e forro para melhorar a acústica e modernizar o cinema”, detalhou a arquiteta.

Histórico 

O Cine Olympia foi inaugurado em abril de 1912, época do cinema mudo e que Belém vivia o apogeu do ciclo da borracha. O Olympia atravessou vários períodos da história cinematográfica nacional e internacional. Com a decadência das grandes salas de cinema nas grandes cidades, em 2006 o grupo proprietário do Olympia anunciou que o fecharia. A classe artística local se mobilizou e o cinema foi adquirido pela Prefeitura de Belém.

“Eu como pesquisador e cinéfilo fico muito feliz que o cinema Olympia vai estar numa nova fase. A reforma está acontecendo e teremos um Olympia moderno, mas preservando todas as características. Em breve vamos ter um novo Olympia para contar novas histórias e memórias”, informa o professor, crítico e pesquisador Marco Antônio Moreira.

Texto: Joyce Assunção, via Agência Belém

2 COMMENTS

  1. Que bom, e parabéns ao prefeito Edmilson Rodrigues e toda a sua equipe por mais essa importante realização!
    Seria tão bom que a PMB utilizasse a mesma estratégia de captação de recursos, para a reconstituição arquitetônica do Teatro São Cristóvão e do prédio da Associação dos Ferroviários, ambos em São Brás; e também para uma grande obra de intervenção urbanística no eixo da rua João Alfredo e rua Santo Antônio, suas transversais e paralelas; com a reconstituição das calçadas em pedras de lios e outros materiais similares, das vias carroçáveis (algumas destinadas apenas para o trânsito de pedestres, mas com estrutura que permita o acesso de veículos automotores, para o caso de situações emergenciais), das fachadas e volumetrias dos prédios (com regularização fundiária, e a criação de galerias comerciais e de serviços); além do aterramento das fiações elétricas e de telecomunicações de todas as vias, e instalação de outros equipamentos, como quiosques, bancos, e postes para luminárias movidas à energia solar, em desenhos compatíveis com o entorno.

  2. Sensacional a ideia de restaurar o Cine Olympia recuperando suas linhas originais. Pena que o Pedro Veriano não está mais aqui pra ver…

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