Flagrante em Belém aponta indícios de lavagem de dinheiro, uso de “laranjas” e possível ligação com contratos de R$ 3,8 milhões com a Fundação Cultural do Pará. Fotos: Registro da prisão e os R$ 500 mil apreendidos pela PF. 

A Polícia Federal prendeu em flagrante o empresário Felipe Linhares Paes, Ronaldy Rian Moreira Gomes e Michel Silva Ribeiro na saída de uma agência do Banco do Brasil, em Belém, na última segunda-feira (16). Felipe é sócio da Royal Gráfica e Editora LTDA, que possui contratos de aproximadamente R$ 3,8 milhões com a Fundação Cultural do Pará (FCP), por meio de inexigibilidade de licitação. Michel Silva Ribeiro seria servidor da Casa Civil do Estado e genro do deputado federal Raimundo Santos (PSD). As informações são do jornalista Carlos Mendes, do portal Ver-o-Fato.

A operação teve início a partir de movimentações consideradas atípicas, quando Ronaldy Rian sacou R$ 500 mil em espécie. Após deixar o local, ele seguiu até um veículo Land Rover blindado, onde se encontrou com o empresário Felipe Linhares Paes. Durante a abordagem, Felipe tentou fugir e chegou a apontar uma arma contra os agentes, sendo contido após disparo de advertência.

Em depoimento, Ronaldy admitiu atuar como “laranja”. Ele afirmou receber cerca de R$ 3 mil mensais para figurar como sócio de uma empresa, sem exercer função real, e indicou Felipe como o verdadeiro controlador dos negócios. A investigação aponta que o empresário teria utilizado funcionários e pessoas de confiança para registrar bens e movimentar recursos.

Para a Polícia Federal, há indícios de que os valores movimentados podem ter origem ilícita, incluindo transferências de pessoas investigadas por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

A terceira pessoa presa, Michel, estava dentro do veículo no momento da abordagem. Segundo a PF, a justificativa apresentada por ele, de que estaria no local para tratar da produção de livros, não é compatível com as circunstâncias do flagrante. A investigação considera a hipótese de envolvimento de agentes públicos, com suspeitas de corrupção ativa e passiva.

Diante dos elementos reunidos, a Polícia Federal enquadrou os envolvidos por crimes como lavagem de dinheiro, associação criminosa, corrupção, resistência à prisão e porte ilegal de arma de fogo. Para os investigadores, o episódio pode representar apenas uma parte de um esquema mais amplo, que conecta recursos suspeitos, contratos públicos e estruturas empresariais utilizadas para ocultação de dinheiro.

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