Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
Parte da imprensa brasileira vem tentando minimizar o ataque terrorista realizado nesta quarta-feira (13), na Praça dos Três Poderes em Brasília, por um catarinense e ex-candidato pelo PL em 2020, partido de Bolsonaro. Homem detonou uma bomba no estacionamento do Anexo IV da Câmara dos Deputados, e jogou outras duas em frente ao STF.
“É interessante observar como os jornais estão reportando o atentado de ontem à noite: a palavra atentado quase não aparece, a sentença escolhida pra dar início é “homem morre”, e embora seja colocado como agente de uma ação, até o momento se escolheu colocar as coisas de maneira bastante indireta. “Homem morre ao detonar explosivos” ou “homem morre após explodir bombas” não dá a dimensão direta do que aconteceu, da ação direta do homem para promover as explosões. A palavra “explosão” tb é interessante, pq uma explosão pode acontecer sem que se deseje que ela aconteça. Não foi o caso”, disse a doutora em Linguística pela UNICAMP, Jana Viscardi, na rede social Bluesky.

Outra forma de diminuir a gravidade do ocorrido tem sido chamar o autor do atentado de “lobo solitário” ou “maluco”, quando na verdade, ações violentas como essa e a tentativa de golpe ocorrida no dia 8 de janeiro de 2023, são produto direto da desinformação e da política do ódio da extrema-direita.
Segundo o Historiador e Cientista Político, Chico Teixeira, em entrevista ao youtube da Tutaméia TV, dizer que o terrorista tinha uma doença mental não exclui o fato de ser um atentado terrorista e ameniza o entorno do terrorista e a incompetência da polícia. “A reação é sempre essa. Dizer que é um lobo solitário, que tem uma doença ou desequilíbrio emocional, a família dizer que não tinha nenhuma informação em relação a isso. Esse é um comportamento de se desculpar pelo fracasso de impedir um ato como esse”.
“A coisa mais importante é o fato que se trata claramente de um ato terrorista. Lançar bombas em frente ao Tribunal Federal, o prédio que esta julgando inúmeros membros da tentativa de golpe do dia 8 de janeiro, vários deles ligados ao mesmo partido dessa pessoa que seria o proprietário do carro, a se confirmar. Cria-se um cenário que aponta claramente para um ato terrorista, e de caráter de extrema-direita”, diz Teixeira.
Vale a pena assistir à entrevista:








