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Embora o tema tenha perdido espaço no noticiário nacional nas últimas semanas, os casos de intoxicação por metanol continuam ocorrendo no Brasil. Um novo episódio registrado em Belém reacendeu o alerta das autoridades sanitárias e reforçou que o problema segue ativo, com riscos graves à saúde pública.

No último domingo (7), a Vigilância Sanitária realizou uma vistoria na unidade do Grupo Mais Barato, no bairro de Nazaré, em Belém, um dia após a divulgação de um caso envolvendo suspeita de contaminação por metanol em uma bebida alcoólica adquirida no estabelecimento. O consumidor, o engenheiro Flávio Acatauassu, de 63 anos, comprou a bebida no mês de novembro e precisou de atendimento médico após passar mal. Exames realizados posteriormente indicaram a presença de metanol em seu organismo.

Horas antes da fiscalização, o supermercado divulgou nota afirmando ter adotado “todas as medidas cabíveis” assim que tomou conhecimento do caso. A empresa classificou como “estranho” o fato de a garrafa consumida não ter sido submetida à análise técnica pelas autoridades, mesmo após cerca de 30 dias do consumo. Ainda assim, informou que retirou das prateleiras os produtos do mesmo lote e os colocou à disposição dos órgãos de fiscalização.

O Grupo Mais Barato também informou ter acionado protocolos de verificação junto à Diageo, fornecedora do whisky comercializado, e reiterou compromisso com a transparência e a confiança dos consumidores.

A Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) esclareceu que o exame que identificou metanol no organismo do paciente foi realizado em rede privada e que, por isso, ainda não recebeu notificação oficial do caso. A pasta destacou que, segundo o último boletim disponível, até 9 de outubro de 2025 não havia registro confirmado de intoxicação por metanol no estado, embora a vigilância sanitária esteja em monitoramento intensificado.

A Polícia Civil informou que a Delegacia do Consumidor (Decon) ainda não recebeu registro formal da denúncia, mas, mesmo assim, intimou a vítima para prestar depoimento nos próximos dias.

Em nota, a Unimed Belém confirmou que o paciente deu entrada na urgência do Hospital Unimed Prime na data informada e que os registros de prontuário estão sob análise pelas áreas responsáveis pela qualidade e segurança do paciente. A operadora explicou que o exame específico para detecção de metanol não foi solicitado inicialmente, pois esse tipo de teste segue critérios definidos pela Nota Técnica nº 01/2025 da Sespa, sendo indicado apenas em casos que se enquadram como suspeitos formais.

A Unimed ressaltou que exames dessa natureza são realizados por laboratórios externos especializados, com envolvimento do Lacen ou do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox), e informou ter instaurado uma apuração assistencial completa para avaliar o atendimento prestado. Como orientação ao público, a operadora recomendou evitar bebidas de origem desconhecida, buscar atendimento médico diante de sintomas compatíveis com intoxicação e comunicar suspeitas às autoridades de saúde.

Casos seguem surgindo no país

O episódio em Belém ocorre em meio à continuidade de registros em outros estados. No início de dezembro, a Prefeitura de Mauá, no Grande ABC paulista, confirmou o primeiro caso de intoxicação por metanol no município envolvendo licor, o que ocorreu pela primeira vez desde o início das investigações nacionais. Um homem de 47 anos permanece internado em estado grave após consumir a bebida entre os dias 21 e 22 de novembro. O paciente apresentou dor de cabeça intensa, visão turva e confusão mental, precisou ser intubado e, desde o dia 26, realiza sessões de hemodiálise.

Com esse registro, o número de casos confirmados de intoxicação por metanol em São Paulo chegou a 50, com 10 mortes confirmadas e outras cinco em investigação, segundo dados do governo estadual.

Em âmbito nacional, o Ministério da Saúde informou, em boletim divulgado no dia 19 de novembro, que o Brasil já soma 16 mortes confirmadas por intoxicação causada pelo consumo de bebidas alcoólicas contaminadas com metanol. Ao todo, são 97 casos registrados, sendo 62 confirmados e 35 ainda sob investigação. Outros 772 casos suspeitos foram descartados após análise.

Além de São Paulo, há mortes confirmadas no Paraná, Pernambuco e Mato Grosso, e investigações em andamento em estados como Minas Gerais, Bahia, Piauí, Tocantins e Rio Grande do Sul.

Alerta permanente

O surgimento de novos casos, como o registrado em Belém, indica que a circulação de bebidas adulteradas ainda representa risco. Sintomas como dor de cabeça intensa, náuseas, visão embaçada, confusão mental e dificuldade respiratória após o consumo de bebidas alcoólicas devem ser tratados como emergência médica, com notificação imediata aos órgãos de saúde.

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