Os esquálidos empresários paraenses e sua tradicional postura de incensar os projetos que vem de cima e de fora, em busca das migalhas de sempre (enquanto, no entorno, tudo vira cinzas, pasto, buracos gigantes e uma floresta cruelmente savanizada) – Foto: gerada por IA

Por Aldenor Junior

Viciado por décadas em um sistema que lhe oferece apenas migalhas, o empresariado paraense não vê alternativa que não seja aprofundar esse modelo há muito fadado ao fracasso. De que modelo exatamente falamos? É o sistema que o regime militar implantou através dos megaprojetos de infraestrutura de transporte e de produção em enorme escala de energia, dando o suporte para a instalação do polo mineral do Grande Carajás e da larga produção de alumínio e alumina, em Barcarena.

No espaço aberto pelos vetores da devastação da floresta (e aniquilamento dos povos tradicionais), vieram os depredadores ciclos da madeira, do ouro e, de forma consistente e prolongada, do gado tomando conta do espaço no qual antes vicejava uma fabulosa floresta, transformada em inóspita savana.

Nas décadas mais recentes, porém, sem contraditar a permanência dos fluxos econômicos baseados na mineração e na pecuária, ganhou força a expansão da soja e a transformação dos rios em corredores logísticos para levar a produção dessa commodity do Centro-Oeste diretamente para os países importadores além-mar. Fechava-se, assim, um ciclo de ferro que condena os povos da Amazônia a uma espécie de maldição eterna: viver na miséria sentados na maior riqueza da sociobiodiversidade do planeta.

Repetindo-se como farsa (e como a mesma tragédia de sempre), eis que surge a miragem representada pela exploração de petróleo e gás na Foz do Amazonas. Esta última promessa traz consigo o mesmo Eldorado reluzente, prometido à exaustão e evidentemente mentiroso, porém, agravado pela chance de proporcionar uma hecatombe socioambiental nunca vista.

Pois bem, voltando à pequenez estratégica do empresariado nativo: desprezado e anêmico em termos de potência econômica, busca se agarrar feito náufrago a esses falsos botes salva-vidas. Viram ventríloquos do que vem de cima e de fora. Apenas reproduzem o mantra que diz que depois da devastação virá a bonança. Triste e trágico engano.

Aldenor Junior é jornalista

Deixe um comentário