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Trabalhadores informais removidos do Ver-o-Peso realizaram, na manhã desta terça-feira, uma manifestação no estacionamento da feira, em protesto contra a retirada de seus pontos de trabalho pela gestão do prefeito Igor Normando (MDB). Segundo os manifestantes, a ação ocorreu sem diálogo, sem aviso prévio e sem qualquer alternativa de realocação, deixando dezenas de famílias sem renda às vésperas do Natal.

Os trabalhadores atuavam principalmente na venda de castanha-do-pará, água mineral e coco, em um espaço vazio localizado na parte de trás da feira, que não ocupava calçadas nem interferia no fluxo de pedestres. Ainda assim, afirmam que foram retirados do local por agentes da prefeitura, com apoio policial.

Durante o protesto, um dos manifestantes resumiu o sentimento do grupo: “A gestão passada cedeu um lugar pra gente. Agora eles retiraram a gente do nosso lugar, não deram nem um lugar pra gente. Deixaram a gente sem nada, sem direito nenhum. Em pleno Natal. A gente quer passar o Natal abençoado com a nossa família, mas infelizmente o prefeito não quer deixar. Ele coloca polícia pra perseguir trabalhador, ao invés de colocar polícia pra ir atrás de bandido.”

A ação segue a lógica higienista, em que a presença do trabalhador informal passa a ser tratada como um “problema visual” a ser eliminado, e não como uma questão social a ser enfrentada com políticas públicas inclusivas. Ela se impõe sobre quem tem menos poder, menos renda e menos voz. Não se vê o mesmo rigor quando o assunto envolve interesses econômicos maiores, apropriação privada de espaços públicos ou irregularidades toleradas em nome da conveniência política.

Além da remoção, o local do protesto, o estacionamento do Ver-o-Peso, foi escolhido para denunciar outra situação. De acordo com os trabalhadores, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedcon) teria autorizado uma associação de flanelinhas a explorar economicamente o espaço. No entanto, não há registro de edital ou chamamento público sobre o tema no Portal da Transparência da Prefeitura de Belém. Por se tratar de área pública, qualquer arrecadação em estacionamento público exige chamamento público, instrumento jurídico adequado, regras claras de cobrança e ampla transparência.

Pará líder da informalidade

O Pará lidera o ranking nacional de informalidade no trabalho, com 57,5% da população ocupada em atividades informais no primeiro trimestre de 2025. Para milhões de paraenses, o trabalho nas ruas, feiras e espaços públicos não é escolha, mas necessidade.

Para milhões de paraenses, o trabalho nas ruas, feiras e espaços públicos não é escolha, mas necessidade. Por isso, ações como esta, sem políticas de transição, inclusão produtiva ou realocação, significa para pais e mães chefes de família desemprego imediato e insegurança alimentar.

 

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