Venezuelanos nas ruas exigindo respeito à sua soberania – Foto: reprodução

As narrativas do Império vão se impondo, como se fossem parte da paisagem, naturalizadas como mandamentos divinos. Afinal, desconfiar e culpar as vítimas serve a que interesse?

Por Aldenor Junior

Em poucas horas, as vítimas são vilanizadas.

Por que, afinal, os agredidos não impediram o ataque – sorrateiro e covarde – da maior e mais brutal potência militar do planeta?

Por que os caças Sukhoi ficaram no solo e não enfrentaram a esquadrilha dos helicópteros invasores?

(Imagino a cena antológica de Apocalipse Now : a matilha de aeronaves sobrepujando os campos vietnamitas ao som solene e macabro da ópera A Valquíria, de Richard Wagner. Qual terá sido a trilha sonora infame que embalou os jogos de guerra de Trump na violada Venezuela?)

Por que e por que a liderança da Venezuela não se entregou, mãos à cabeça, às autoridades invasoras para serem imoladas juntos a seu líder ao invés de seguir mantendo o governo e o mínimo decoro de sua terra pátria?

Tudo seria mais fácil e mais hígido para os gigantes do Norte e sua formidável máquina de guerra.

Só que não é assim que a banda toca.

Mais de 80 vidas foram dizimadas em minutos. Destas, 32 eram de cidadãos cubanos, heróis da luta anticolonial em pleno século XXI. Seu sangue terá sido em vão?

Vivemos em um mundo isento de honradez e de caráter para que os de cima possam afirmar seu poder de Império?

Melhor que não seja assim.

Enquanto a opinião pública, inclusive segmentos mais críticos e identificados com a esquerda, demonstrarem-se porosos à infiltração do discurso do invasor, mais fácil será a pavimentação do caminho que objetiva, ao vim e ao cabo, recolonizar as Américas, reduzindo-nos à vil condição de escravizados.

O dever de quem tem compromisso com a luta por justiça, soberania e liberdade – a verdadeira liberdade e não aquela liberticida apregoada pelos esbirros da ditadura global – deve ser o de cerrar fileiras com a Resistência (maiúscula e tão contraditória e complexa quanto hão de ser as construções humanas).

Qualquer coisa fora disso corre o terrível risco de jogar água no moinho da vassalagem e da traição aos que vieram antes de nós e àqueles que nos sucederão na luta pela plena e visceral felicidade humana.

*Aldenor Junior é jornalista

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