Empresa Belém Rio alega baixa demanda e retira veículos com ar-condicionado; usuários apontam retrocesso e cobram transporte digno.
Estudantes da Universidade Federal do Pará (UFPA) e moradores que dependem da linha Satélite/UFPA (768) têm criticado a retirada dos ônibus climatizados do trajeto. A retirada dos veículos representa um retrocesso nas condições de mobilidade urbana, especialmente para quem enfrenta longas distâncias e jornadas diárias até a universidade. “Os ônibus com ar-condicionado foram conquistados com muita luta e mobilização popular, tornando minimamente mais digno o trajeto de milhares de pessoas”, aponta a nota divulgada pelos estudantes do movimento Juntos.
Para moradores do bairro do Satélite, a situação é ainda mais crítica, já que a atual frota tem sido insuficiente, e para muitos essa é a única opção de linha para deslocamento. Com a retirada dos veículos climatizados, a tendência é de agravamento de problemas já crônicos, como superlotação, calor extremo, longos tempos de espera e desgaste físico diário. Além disso, usuários denunciam a baixa qualidade da frota em circulação, com veículos antigos, mal conservados e sem condições adequadas de uso.
A crítica se estende a outras linhas que atendem bairros mais afastados, como Tenoné, Icoaraci e regiões da COHAB, onde a população enfrenta diariamente ônibus sucateados, longos intervalos e falta de regularidade no serviço. Linhas como Tenoné (783 e 785) e COHAB (871) são apontadas como exemplos de precarização e de desigualdade no sistema de transporte: enquanto algumas áreas da cidade recebem melhorias pontuais, regiões periféricas seguem com um serviço considerado insuficiente e de baixa qualidade.
De acordo com informações, a decisão foi tomada pela empresa Belém Rio, que alegou ausência de demanda suficiente para manter os veículos com ar-condicionado na linha. Os ônibus teriam sido realocados para o itinerário Sacramenta/Nazaré (546). A mudança expõe a omissão da gestão Igor Normando (MDB) na regulação do transporte público, um serviço essencial que não pode ser subordinado à lógica do lucro das empresas concessionárias. Cabe à prefeitura garantir equilíbrio, qualidade e universalidade no atendimento, especialmente nas áreas mais periféricas, onde a população depende integralmente do sistema.








