Com demissões, retirada de patrimônio público e contrato milionário, Prefeitura esvazia o hospital veterinário público e entrega a saúde animal ao mercado. Foto: Reprodução
A política de saúde animal em Belém caminha para a privatização. Enquanto a gestão Igor Normando (MDB) amplia parcerias com empresas privadas do setor veterinário, o Hospital Veterinário Dr. Vahia, único equipamento público do tipo na cidade, enfrenta desmonte, precarização e ameaça concreta de fechamento.
Nesta semana, o prefeito inaugurou um hospital veterinário de triagem na Avenida Marquês de Herval e anunciou a inauguração de outra unidade na Avenida José Bonifácio. Ambos os empreendimentos são privados, sendo o primeiro na Pedreira, a filial, e o segundo, na José Bonifácio, a sede, de nome Novavet Comércio de Medicamentos e Serviços Veterinários, que atua com o nome fantasia Aysu Hospital Veterinário.
A empresa foi fundada há cerca de sete anos e já opera há três anos no prédio da José Bonifácio, entre as avenidas Gentil Bittencourt e Magalhães Barata, agora apresentado pela Prefeitura como nova entrega à população; a filial foi fundada em outubro de 2025. No total, serão R$ 13.445.700,12 (treze milhões, quatrocentos e quarenta e cinco mil, setecentos reais e doze centavos) de recursos públicos destinados para a iniciativa privada.

Anteriormente, no mesmo endereço da filial, na Marquês de Herval, já funcionava um outro estabelecimento, a UltraPet, com outro CNPJ e proprietária. A foto é de abril de 2024.
Enquanto isso, o Hospital Veterinário Dr. Vahia, localizado no bairro do Tapanã, segue em situação crítica. Cerca de 80 servidores tiveram seus contratos encerrados no último dia 13 e, mesmo assim, foram solicitados a permanecer por mais uma semana, até que os hospitais privados entrem em funcionamento.
Além da redução abrupta de pessoal, o hospital público enfrenta falta de medicamentos, equipamentos e condições adequadas de atendimento. Circulam internamente informações sobre um possível fechamento da unidade para uma suposta “reforma”, embora o prédio já tenha sido entregue reformado pela gestão anterior. Paralelamente, há procedimentos em curso para a retirada de patrimônio público do local, o que reforça os indícios de encerramento definitivo das atividades.
A opção de Igor não ocorre de forma isolada. Ela se insere em um conjunto de iniciativas que vêm transferindo serviços públicos à iniciativa privada, a exemplo da tentativa de terceirização do Pronto-Socorro Municipal da 14 de Março, barrada pelo Ministério Público Federal.
Para a vereadora Vivi Reis (PSOL), o processo evidencia uma política deliberada de privatização sem diálogo social. “A Prefeitura de Belém fechou o Hospital Veterinário Dr. Vahia e demitiu mais de 70 servidores, transferindo um serviço público para a iniciativa privada, sem diálogo com a população nem com os trabalhadores. Saúde animal não é negócio!”, afirmou.
As medidas adotadas pela gestão municipal ocorrem sem transparência e sem participação popular, esvaziando o atendimento público justamente nas áreas mais vulneráveis da cidade. Na prática, a Prefeitura reforça uma lógica de mercado que transforma um direito coletivo em oportunidade de lucro.
Matéria atualizada às 13h02.










