Com demissões, retirada de patrimônio público e contrato milionário, Prefeitura esvazia o hospital veterinário público e entrega a saúde animal ao mercado. Foto: Reprodução

A política de saúde animal em Belém caminha para a privatização. Enquanto a gestão Igor Normando (MDB) amplia parcerias com empresas privadas do setor veterinário, o Hospital Veterinário Dr. Vahia, único equipamento público do tipo na cidade, enfrenta desmonte, precarização e ameaça concreta de fechamento.

Nesta semana, o prefeito inaugurou um hospital veterinário de triagem na Avenida Marquês de Herval e anunciou a inauguração de outra unidade na Avenida José Bonifácio. Ambos os empreendimentos são privados, sendo o primeiro na Pedreira, a filial, e o segundo, na José Bonifácio, a sede, de nome Novavet Comércio de Medicamentos e Serviços Veterinários, que atua com o nome fantasia Aysu Hospital Veterinário.

A empresa foi fundada há cerca de sete anos e já opera há três anos no prédio da José Bonifácio, entre as avenidas Gentil Bittencourt e Magalhães Barata, agora apresentado pela Prefeitura como nova entrega à população; a filial foi fundada em outubro de 2025. No total, serão R$ 13.445.700,12 (treze milhões, quatrocentos e quarenta e cinco mil, setecentos reais e doze centavos) de recursos públicos destinados para a iniciativa privada.

Chamada Pública da Secretaria de Proteção e Defesa dos Animais publicada no Diário Oficial de 28 de novembro de 2025, com errata em 18 de dezembro.

Anteriormente, no mesmo endereço da filial, na Marquês de Herval, já funcionava um outro estabelecimento, a UltraPet, com outro CNPJ e proprietária. A foto é de abril de 2024.

Enquanto isso, o Hospital Veterinário Dr. Vahia, localizado no bairro do Tapanã, segue em situação crítica. Cerca de 80 servidores tiveram seus contratos encerrados no último dia 13 e, mesmo assim, foram solicitados a permanecer por mais uma semana, até que os hospitais privados entrem em funcionamento.

Além da redução abrupta de pessoal, o hospital público enfrenta falta de medicamentos, equipamentos e condições adequadas de atendimento. Circulam internamente informações sobre um possível fechamento da unidade para uma suposta “reforma”, embora o prédio já tenha sido entregue reformado pela gestão anterior. Paralelamente, há procedimentos em curso para a retirada de patrimônio público do local, o que reforça os indícios de encerramento definitivo das atividades.

A opção de Igor não ocorre de forma isolada. Ela se insere em um conjunto de iniciativas que vêm transferindo serviços públicos à iniciativa privada, a exemplo da tentativa de terceirização do Pronto-Socorro Municipal da 14 de Março, barrada pelo Ministério Público Federal.

Para a vereadora Vivi Reis (PSOL), o processo evidencia uma política deliberada de privatização sem diálogo social. “A Prefeitura de Belém fechou o Hospital Veterinário Dr. Vahia e demitiu mais de 70 servidores, transferindo um serviço público para a iniciativa privada, sem diálogo com a população nem com os trabalhadores. Saúde animal não é negócio!”, afirmou.

As medidas adotadas pela gestão municipal ocorrem sem transparência e sem participação popular, esvaziando o atendimento público justamente nas áreas mais vulneráveis da cidade. Na prática, a Prefeitura reforça uma lógica de mercado que transforma um direito coletivo em oportunidade de lucro.

Matéria atualizada às 13h02.

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