Greve unificada expõe reação dos servidores de Belém contra retirada de direitos, precarização do trabalho e reforma administrativa da gestão Igor Normando (MDB). Fotos: Assembleia do Sintepp/Crédito: Instagram Vivi Reis; Assembleia do Sintsuas/Crédito: Instagram Sintsuas
Servidores da educação e da assistência social de Belém decidiram, nesta quinta-feira (15), deflagrar greve por tempo indeterminado, em reação ao pacote de projetos enviados por Igor Normando (MDB) e às mudanças recentes que, segundo as categorias, retiram direitos, desestruturam carreiras e aprofundam a precarização dos serviços públicos.
Na educação municipal, a decisão foi tomada em Assembleia Geral no sindicato dos trabalhadores da construção civil, convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp Belém). A categoria aprovou a greve por tempo indeterminado a partir de 19 de janeiro, tendo como principais reivindicações a revogação dos projetos de lei aprovados na Câmara Municipal em 17 de dezembro de 2025.
Os professores também reivindicam a revogação da nova matriz curricular aprovada pelo Conselho Municipal de Educação, além da abertura de negociação com a Prefeitura para a construção de um PCCR Unificado da Educação. Entre as deliberações, também está a busca pela unidade com outras categorias do funcionalismo, a realização de reuniões nas escolas com a comunidade escolar e a organização da greve a partir das bases.
Após a assembleia, profissionais da educação realizaram uma manifestação em direção à Secretaria Municipal de Educação (Semec) e ocuparam simbolicamente o prédio da secretaria, como forma de protesto e visibilidade à pauta. A ocupação foi encerrada, mas o movimento segue em mobilização.
Na assistência social, servidoras e servidores da FUNPAPA também decidiram entrar em greve a partir do dia 19 de janeiro. A categoria afirma que a paralisação é uma resposta direta aos projetos de lei da Prefeitura, que atacam direitos históricos, rebaixam salários e desvalorizam o trabalho no Sistema Único de Assistência Social (SUAS).
Além dos impactos legais e salariais, os trabalhadores denunciam condições cada vez mais precárias de trabalho, como falta de material básico nas unidades, ausência de apoio alimentar aos usuários, alimentação inadequada nos abrigos, carência de vigilantes e equipes, inexistência de perspectiva de concurso público e a falta de reajuste e revisão salarial anual. Diante desse cenário, a categoria afirma ter chegado ao limite.
Um ato público dos servidores da Assistência está marcado para o dia 19 de janeiro, às 8h, na sede da FUNPAPA, em defesa de direitos, da dignidade dos trabalhadores e do SUAS público e de qualidade.
Outras categorias também devem aderir à greve geral. Servidores da saúde municipal realizam assembleia ainda hoje para deliberar sobre indicativo de paralisação. O texto poderá ser atualizado após a definição da categoria.








