Extinguiram a FUNBOSQUE. Agora desmontam a Escola Casa da Pesca – Foto: divulgação

A vereadora Marinor Brito (PSOL) utilizou suas redes sociais para alertar sobre a precária situação da educação ribeirinha em Belém. A parlamentar denuncia um processo de desmonte no setor, citando o fechamento de turmas, a negação de matrículas para o ano letivo de 2026 e o abandono da Casa Escola da Pesca (CEPE), localizada no distrito de Outeiro.

Segundo Marinor, a gestão do prefeito Igor Normando (MDB), por meio da Secretaria Municipal de Educação (SEMEC), tem ignorado a demanda real das comunidades e se recusado ao diálogo. A parlamentar destaca que a prefeitura desconsidera a importância da Pedagogia da Alternância — método educacional que respeita o tempo de vida e trabalho dos povos tradicionais. “Em Belém, a prática é o desmonte. Não é descaso; é projeto”, afirmou a vereadora.

A crítica se acentua diante de uma contradição: as medidas de fechamento ocorrem no mesmo mês da publicação da Lei Estadual nº 11.325, que reconhece e valoriza a cultura ribeirinha no Pará.

História e Importância da Escola

Inaugurada em 17 de abril de 2008, a Casa Escola da Pesca (CEPE) nasceu vinculada à hoje extinta Fundação Escola Bosque (FUNBOSQUE). Criada especificamente para formar filhos de pescadores da região insular, a instituição tem como objetivo reduzir a pobreza local e aprimorar a gestão dos recursos naturais do município.

Ao longo de quase duas décadas, a CEPE tornou-se uma referência para comunidades insulares, periurbanas e assentamentos rurais, como o Paulo Fonteles, na Ilha de Mosqueiro. Seu modelo pedagógico é adaptado à realidade local, intercalando períodos de internato com períodos na comunidade, respeitando rigorosamente os ciclos produtivos e culturais dos estudantes.

A denúncia se insere em um cenário mais amplo de crise na educação ambiental e ribeirinha da capital paraense. A extinção da FUNBOSQUE e o sucateamento da CEPE evidenciam uma sequência deliberada de ações que desmantelam políticas públicas consolidadas para as populações tradicionais de Belém.

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