Foto: Divulgação/Ag. Pará
Dados do Censo Escolar 2025 mostram que a rede estadual do Pará registrou queda de matrículas em cinco segmentos da educação básica. Houve diminuição no ensino fundamental (anos finais) parcial e integral, no ensino médio parcial urbano e na Educação de Jovens e Adultos (EJA), tanto no fundamental quanto no médio. A única alta expressiva ocorreu no ensino médio integral, nas áreas rural e urbana, mas o crescimento não foi suficiente para compensar as perdas acumuladas.
O levantamento, coordenado pelo Inep em regime de colaboração com estados, municípios e escolas públicas e privadas, é o principal instrumento de coleta de informações da educação básica brasileira.
Fundamental anos finais diminuiu na cidade e no campo
Nos anos finais do ensino fundamental urbano da rede estadual do Pará, o ensino parcial caiu de 73.818 matrículas em 2024 para 66.157 em 2025, perda de 7.661 estudantes (−10,4%). No integral urbano, a queda foi de 10.614 para 9.500 matrículas, redução de 1.114 alunos (−10,5%).
Na área rural, o movimento também foi de retração. O fundamental anos finais parcial passou de 8.600 para 7.493 matrículas, menos 1.107 estudantes (−12,9%). Já o integral rural caiu de 1.219 para 1.030 matrículas, perda de 189 alunos (−15,5%).
Somando urbano e rural, os anos finais do fundamental na rede estadual perderam 10.071 matrículas entre 2024 e 2025.
Ensino médio: queda no parcial e avanço no integral
No ensino médio urbano parcial ocorreu a diminuição mais expressiva: de 208.878 matrículas em 2024 para 169.628 em 2025, perda de 39.250 estudantes (−18,8%). Na área rural, o médio parcial cresceu de 61.815 para 64.584 matrículas, aumento de 2.769 alunos (+4,5%).
Já o ensino médio integral apresentou forte crescimento. No urbano, saltou de 30.829 para 54.207, com mais 23.378 matrículas (+75,8%). No rural, subiu de 1.876 para 2.362, aumento de 486 matrículas. (+25,9%).
Mesmo com essas altas, o saldo geral do ensino médio ainda é negativo quando se considera a forte queda urbana no modelo parcial.
EJA também diminui
A Educação de Jovens e Adultos diminuiu tanto na zona rural quanto urbana. A EJA fundamental urbana caiu de 7.299 para 5.588 matrículas, com menos 1.711 matrículas (−23,4%), e a rural caiu de 787 para 585, menos 202 matrículas (−25,7%). O EJA ensino médio urbano caiu de 37.360 para 30.946, menos 6.414 matrículas (−17,2%). A EJA médio rural passou de 7.969 para 6.947, menos 1.022 matrículas (−12,8%).
Somadas às quedas urbanas já observadas, as perdas reforçam um movimento consistente de encolhimento da modalidade no estado.
Expansão do integral e risco de exclusão
O dados indicam uma reconfiguração da rede com aumento do tempo integral, movimento alinhado ao Programa Escola em Tempo Integral, criado pelo governo federal em 2023 e que já soma cerca de R$ 4 bilhões em investimentos para ampliar jornadas escolares no país. Parte da redução do ensino médio parcial pode estar associada à migração de estudantes para o modelo integral.
Mesmo assim, o crescimento do integral não mantem o volume total de matrículas do ano de 2024. E embora o tempo integral possa melhorar indicadores de aprendizagem, reduzir abandono e ampliar oportunidades formativas, sua expansão sem políticas de permanência pode produzir efeitos de exclusão, porque dificulta a permanência de estudantes que precisam trabalhar, populações rurais e estudantes mais pobres.
A queda acentuada da EJA, que atende majoritariamente trabalhadores e pessoas em defasagem idade-série, também indica redução de oportunidades educacionais para públicos historicamente mais vulneráveis.
Os números do Pará somados aos de outros seis estados – São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Paraná e Pernambuco – responderam por 75% da queda total de matrículas no país, que teve uma redução total de 6,2% nas matrículas do ensino médio no Censo Escolar 2025, em relação ao ano anterior, o equivalente a 425 mil estudantes a menos no Brasil.









