Relatório de janeiro do Instituto Fogo Cruzado mostra diminuição nos tiroteios, mas número de mortos permanece no mesmo patamar de janeiro de 2025. 

Menos tiros, mesma letalidade. Apesar da queda de 21% no número de tiroteios, a violência armada manteve o mesmo número de vítimas fatais no primeiro mês de 2026, se comparado com o mesmo período de 2025, na capital paraense, segundo o relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado.

Ao todo, 48 pessoas foram baleadas na região metropolitana de Belém em janeiro. Destas, 45 morreram e três ficaram feridas. Somente na capital paraense, foram 24 pessoas baleadas, sendo 19 mortas e três feridas, o que mantém Belém como o município com maior concentração de vítimas no período.

Entre os episódios registrados no mês, chama atenção o avanço da violência armada sobre equipamentos públicos de saúde. No dia 24 de janeiro, uma enfermeira e um guarda municipal foram baleados dentro do Hospital Pronto Socorro Municipal Mário Pinotti, o PSM da 14, em Belém.

As informações apontam que um casal foi levado ao hospital para atendimento médico, após ser detido. Durante a permanência no local, eles teriam se exaltado e atirado contra os funcionários.

Fora da capital, Ananindeua registrou uma chacina no dia 17 de janeiro, durante uma intervenção policial em uma residência no Residencial Clodomir de Nazaré, no Distrito Industrial. Três homens morreram. De acordo com a polícia, os agentes teriam reagido após uma suposta agressão durante a ação.

Apesar de uma redução de 21% no número total de tiroteios de janeiro comparado a janeiro de 2025, a violência armada segue em patamar elevado na região metropolitana de Belém. Ao todo, foram registrados 50 tiroteios, com 48 pessoas baleadas. No mesmo mês de 2025 foram 63 tiroteios. As operações policiais também reduziram 29%, mas seguem elevadas, com 31 registros em 2025 contra 22 em 2026.

“Observa-se uma redução, mas ainda assim os dados seguem elevados. Vale lembrar que o trabalho que o Instituto Fogo Cruzado desenvolve é um trabalho de coleta cidadã de dados, ou seja, uma parceria junto com a população. Os dados por si só já se mostram preocupantes, mas podem ser ainda maiores”, Terine Husek Coelho, gerente de pesquisa do Instituto Fogo Cruzado.

Em janeiro, os homicídios ou tentativa de homicídios foram responsáveis por 23 ocorrências, seguidas de ações policiais com 22 registros.

Entre os 45 mortos, a maioria era homem adulto (43). Do ponto de vista racial, 28 vítimas eram negras, cinco brancas e 12 não tiveram raça/cor informada.

Entre os baleados, há registros de um agente de segurança, dois mototaxistas, uma pessoa em situação de rua e um político, indicando que a violência atinge diferentes grupos sociais e ocupacionais.

Dados detalhados

Municípios

Entre os municípios que compõem a Região Metropolitana de Belém, os afetados pela violência armada foram:

  • Belém: 24 tiroteios, 19 mortos e 3 feridos
  • Ananindeua: 12 tiroteios e 12 mortos
  • Castanhal: 8 tiroteios e 8 mortos
  • Santa Izabel do Pará: 3 tiroteios e 3 mortos
  • Barcarena: 2 tiroteios e 2 mortos
  • Benevides: 1 tiroteio e 1 morto
  • Marituba: 1 tiroteio

Bairros

Os bairros mais afetados pela violência armada foram:

Cidade Nova (Ananindeua): 3 tiroteios e 3 mortos
Curuçambá (Ananindeua): 3 tiroteios e 3 mortos
Belém (Marco): 3 tiroteios, 1 morto e 1 ferido

Sobre o Fogo Cruzado

O Fogo Cruzado é um Instituto que utiliza tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida.

Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 50 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife, de Salvador e de Belém.

 

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