Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump – Foto: The White House
Por Elias Araújo
Esse artigo é de um dia antes do ataque do eixo Epstein contra o Irã, na sequência da subordinação da Venezuela, para se apoderar e controlar as fontes de energia (petróleo e gás) e, assim, enfrentar a China.
Para os EUA, trata-se de isolar e tentar deter o seu pior inimigo; para o IV Reich nazisionista, trata-se de continuar a implementação do projeto da Grande Israel (do Nilo ao Eufrates), no qual o Irã é a última resistência.
Com o desenvolvimento dessa agressão imperialista, três questões deveriam ter a atenção do governo e das demais instituições brasileiras e ser informadas ao povo. Mas isto não acontecerá pelo total engajamento da mídia oligárquica alinhada ao Eixo Epstein e aos interesses da Faria Lima, dos exportadores de commodities e da direita e extrema-direita, de cujo programa político é a porta-voz nas eleições de 2026.
Feitas estas considerações, passemos às questões que nos afetam:
A primeira e mais óbvia é a vulnerabilidade de nossa economia, baseada em commodities agrícolas, pela privatização das refinarias, da BR Distribuidora e da própria submissão da Petrobras aos interesses dos rentistas, o que imobiliza o governo para enfrentar a alta de preços do petróleo e seus derivados, e que afetará todas as cadeias de produção, logística e distribuição. Além disso, a inexistência de soberania na produção de fertilizantes irá afetar gravemente a própria produção agrícola.
A segunda questão é que, sendo o Brasil o país mais extenso da América Latina, com uma das maiores áreas contínuas do mundo para produção de alimentos, bem como algumas das maiores reservas de água doce do planeta, tem posição estratégica no contexto geopolítico das mudanças climáticas, e também geodésica para a logística de transporte mundial entre o Atlântico e o Pacífico.
A terceira questão é que o Império estadunidense está esgotando seus sistemas de defesa e ataque nas guerras da Ucrânia e contra o Irã e precisará repô-los com urgência. Para tanto, depende crucialmente dos minerais raros. E apenas três países os têm na abundância necessária: China, Rússia e Brasil. E desses três, apenas a China tem o domínio tecnológico e de todo o ciclo de produção em escala industrial. Ora, nem a China nem a Rússia estão dispostas a contribuir para que os EUA renovem e ampliem os seus sistemas de defesa e ataque, inclusive por serem os alvos estratégicos na disputa da hegemonia militar regional e mundial.
Assim, considerando a urgência do império em processar os minerais raros essenciais à manutenção de sua condição de superpotência militar mundial, só resta uma fonte: o Brasil, que não tem como se defender, seja de sanções econômicas, seja de sanções políticas e muito menos militares, inclusive pelo apoio expressivo interno de civis e militares. Não bastasse isso, os EUA já têm o controle completo da Amazônia pelo controle do SIVAM, pelo controle da comunicação via GPS e pelo uso, pelas Forças Armadas brasileiras, dos satélites Starlink.
Afora o México, distante, e a Colômbia, próxima, mas ocupada por bases militares estadunidenses, o Brasil está cercado pelo escudo de sabujos que a ele se submeteram no Cone Sul.
O Brasil é o próximo alvo depois do Irã e de Cuba; se os EUA não vencerem aqui com seu candidato nas eleições de outubro, darão um jeito de impor ao país um governo que lhes seja favorável. Enfim, o nosso destino está traçado. Apenas fatores internos aos próprios EUA poderão evitar ou adiar esse domínio. Uma eventual derrota dos republicanos nas eleições de meio de mandato poderá nos ser favorável por algum tempo.
Elias Araújo – Graduado em História pela Universidade Federal do Pará. Consultor em Políticas Públicas.








