Trecho da Avenida Liberdade cedeu neste domingo (28); obra custou R$ 452 milhões. Foto: Vídeo Reprodução
Mais uma vez, a Avenida Liberdade ganha o noticiário de forma negativa. Desta vez, um trecho da via cedeu e precisou ser interditado para reparos. Não deixa de ser grave que uma obra de quase meio bilhão de reais apresente problemas desse tipo em tão pouco tempo.
A licitação para realização da obra foi vencida pelo Consórcio Liberdade, formado por cinco empresas, pelo valor inicial de R$ 410 milhões. O contrato, posteriormente, recebeu aditivo superior a R$ 42 milhões. Entre as empresas do consórcio está a JAC Engenharia, que tem como sócia Andrea Costa Dantas, esposa do deputado federal Antônio Doido (MDB).
A JAC Engenharia e a J.A Construcons Civil Ltda., que também tem Andrea como sócia, são investigadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR), desde agosto de 2025, por suspeitas de irregularidades em licitações relacionadas à COP30. Segundo a PGR, entre 2020 e 2024, o governo do Pará empenhou mais de R$ 1 bilhão em notas fiscais para a J.A Construcons.
A PGR afirma que Antônio Doido e Ruy Cabral – ex-secretário de Obras que deixou o cargo na última semana – “aparentam integrar organização criminosa voltada à prática de crimes contra a administração pública e violações em processos de licitação e contratos administrativos no Pará”, além de possíveis crimes eleitorais e infrações contra o sistema financeiro.
Embora a JAC Engenharia e a J.A Construcons estejam formalmente registradas em nome da esposa de Antônio Doido, a PGR aponta que ela seria usada como “pessoa interposta” para ocultar o verdadeiro controle do deputado sobre a empresa.
Diante do novo problema registrado na Avenida Liberdade, o governo do Pará deve explicações públicas. É preciso informar o que provocou o afundamento do trecho, se houve falha de projeto, execução, drenagem, compactação do solo ou fiscalização. Também é necessário esclarecer quem será responsabilizado, quanto custará o reparo, se haverá novo aditivo contratual e se o conserto será pago com dinheiro público ou executado às custas das empresas responsáveis pela obra. Transparência não é favor: é obrigação.










