Praça Dorothy Stang, na Sacramenta, reformada pelo ex-prefeito Edmilson em 2024, ganhou Espaço Pet e 66 mudas de ipês; com Igor Normando, o espaço será destruído. Fotos: Leonardo Mangas/Seurb e Movimento em defesa da Praça Dorothy Stang

Moradores e frequentadores da Praça Dorothy Stang, no bairro da Sacramenta, em Belém, estão se mobilizando contra a decisão da gestão Igor Normando (PSDB) de destruir a área para construir uma policlínica. O Movimento em Defesa da Praça Dorothy Stang (@defendaapracadorothy) não se coloca contra a construção da unidade de saúde, mas cobram transparência, consulta pública e a discussão de alternativas.

A ordem de serviço para a construção da unidade, que faz parte do PAC do governo federal e vai receber mais de R$ 17 milhões, foi assinada em julho.

Os moradores reconhecem a necessidade de ampliar os serviços públicos de saúde, mas questionam por que, para fazer isso, a Prefeitura precisa retirar da população outro direito igualmente importante.

A Praça Dorothy Stang não é uma área vazia. Ela foi inaugurada em 2012, e é utilizada para práticas esportivas, atividades culturais, educação popular, projetos sociais, feiras, encontros comunitários e ações ambientais, além de ser um importante espaço para a cultura Hip Hop. Em uma cidade, uma praça pública também é uma política social.

Em abaixo-assinado, os moradores cobram uma consulta pública antes da intervenção e questiona por que a Praça Dorothy Stang foi escolhida sem que outras áreas ou imóveis subutilizados da região fossem apresentados e debatidos como possíveis alternativas para a policlínica.

“Se essa fosse uma praça em um bairro central de Belém, a decisão seria a mesma?”, questionam os moradores, que denunciam o racismo ambiental por trás da decisão.

>> Assine aqui o abaixo-assinado do movimento

Para uma parcela significativa da população, áreas públicas como a Dorothy Stang são uma das poucas possibilidades de acesso permanente e gratuito ao lazer. A decisão da atual gestão revela toda seu caráter autoritário e elitista, no qual só tem direito ao lazer em Belém quem pode pagar.

Uma política pública não deveria precisar destruir outra para existir. Belém precisa de policlínicas. Mas a população também precisa de praças, árvores, quadras, espaços culturais e lugares onde possa ocupar gratuitamente a cidade.

A obrigação do poder público é justamente planejar a cidade procurando compatibilizar esses direitos, estudando alternativas, apresentando informações técnicas e discutindo as possibilidades com a população.

Uma administração municipal não recebe, por meio das urnas, autorização para tratar o patrimônio coletivo como se fosse propriedade sua.

Movimento realiza debate neste sábado

Neste sábado (8), o Movimento em Defesa da Praça Dorothy Stang realizará uma palestra e debate sobre “Direito à cidade, racismo ambiental e conservação de espaços de cultura e lazer”.

A atividade terá a participação do professor do curso de Direito da Universidade Federal do Pará (UFPA) Bruno Soeiro Vieira e será realizada às 10h, no Ginásio de Esportes da própria Praça Dorothy Stang.

Para os moradores, ampliar a saúde pública não deveria significar retirar da Sacramenta um de seus espaços de convivência.

“Não precisamos destruir para construir”, resume o movimento.

Serviço

Palestra e debate: Direito à Cidade, Racismo Ambiental e Conservação de Espaços de Cultura e Lazer
Data: sábado, 8 de agosto
Horário: 10h
Local: Ginásio de Esportes da Praça Dorothy Stang, Sacramenta, Belém
Participação: Bruno Soeiro Vieira, professor do curso de Direito da UFPA
Entrada: gratuita

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