Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e Leandro Almada, chefe da Inteligência Policial, foram os protagonistas da maior operação que o Brasil já registrou, mostrando conexões entre o PCC, Reag e o Master. Fotos: Geraldo Magela/Agência Senado e José Cruz/Agência Brasil
Revista Fórum – A recente e drástica determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o chefe da Diretoria de Inteligência Policial (DIP), Leandro Almada, provocou um sismo institucional de proporções inéditas em Brasília. A canetada que decapitou temporariamente o topo do comando da corporação abriu uma crise de contornos opacos, sob a justificativa formal de readequações e apurações sobre limites de competência jurisdicional. No entanto, nos bastidores do meio jurídico e do aparato de segurança pública, a leitura dos fatos inevitavelmente tropeça no rastro de atrito deixado pela atuação implacável da dupla à frente dos casos de maior sensibilidade política e econômica do país.
Longe de representarem figuras burocráticas, Andrei Rodrigues e Leandro Almada haviam se consolidado como os formuladores de uma arquitetura investigativa sem precedentes na história do combate ao crime organizado no Brasil. Foi sob a gestão direta e a liderança estratégica da dupla que a Polícia Federal deflagrou a Operação Carbono Oculto, considerada por especialistas a maior ação já realizada no país contra a lavagem de dinheiro e a infiltração de facções criminosas no sistema financeiro nacional.
O movimento de Mendonça ganha contornos ainda mais complexos quando se observa a teia desvelada pela Carbono Oculto: uma engrenagem multibilionária que expôs, com provas documentais robustas, as conexões diretas entre o Primeiro Comando da Capital (PCC), a gestora de recursos Reag e o Banco Master, culminando na figura do banqueiro Daniel Vorcaro.
Gênese da Carbono Oculto e a simbiose entre o PCC e a Faria Lima
Planejada e executada com precisão pela Diretoria de Inteligência sob o comando de Almada e respaldada pelo rigor institucional de Andrei Rodrigues, a Operação Carbono Oculto nasceu para mapear as novas fronteiras da criminalidade organizada. A investigação demonstrou que o PCC havia superado a fase dos assaltos a caixas eletrônicos e do tráfico bruto nas periferias para se infiltrar no coração financeiro do Brasil, a Faria Lima, em São Paulo.
O trabalho de inteligência policial revelou como cifras astronômicas oriundas do tráfego internacional de drogas e da adulteração de combustíveis eram injetadas em fundos de investimento sofisticados, fintechs e estruturas de private equity. A engrenagem funcionava como um ecossistema perfeitamente integrado: o dinheiro ilícito fluía por uma teia de empresas de fachada até ser incorporado a ativos imobiliários, títulos e fundos gerenciados pela gestora Reag, canalizando recursos para o ambiente bancário.
Foi exatamente esse fio da meada que levou a Polícia Federal a cruzar a fronteira entre a lavagem clássica e o sistema bancário tradicional, desembocando nas operações do Banco Master e na figura de seu controlador, Daniel Vorcaro. As apurações da Carbono Oculto demonstraram que a liquidez e a rápida expansão de ativos sob suspeita não eram mero fruto de engenharia financeira arrojada, mas sim o resultado de um duto subterrâneo de capital ilícito que sustentava operações de alto risco e emissões de títulos sem lastro real.








