PF investiga suspeita de que R$ 2,5 milhões apreendidos em Belém tenham saído de empresa da mãe dos candidatos; companhia recebeu R$ 4 milhões da Seduc pouco antes da apreensão. Foto: Redes Sociais
Empresas pertencentes ao pai, à mãe e à irmã do vereador João Coelho (PDT) e do deputado estadual Adriano Coelho (MDB) receberam ao menos R$ 232 milhões do Governo do Pará nos últimos anos. Os dois são candidatos nas eleições de 2026: João a deputado estadual e Adriano a deputado federal, e são investigados pela Polícia Federal sobre a origem e o possível destino eleitoral de R$ 2,5 milhões em dinheiro vivo apreendidos nesta quarta-feira (16), em Belém.
Os dados sobre os contratos e pagamentos foram levantados pela jornalista Natália Portinari, do UOL. A investigação da PF apura se os R$ 2,5 milhões sacados em espécie tiveram origem em contas vinculadas à Lastro Projetos e Construções, empresa pertencente a Diana Albuquerque Coelho, mãe dos dois candidatos.
A Lastro recebeu cerca de R$ 27 milhões do Governo do Pará desde 2024. Segundo o UOL, pouco mais de uma semana antes da apreensão do dinheiro, a empresa recebeu R$ 4 milhões da Secretaria de Estado de Educação (Seduc).
Empresa do pai recebeu R$ 144 milhões da Seduc
A empresa comandada pelo pai dos candidatos, Marco Antonio de Sousa Coelho, recebeu R$ 144,2 milhões da Seduc desde 2016, segundo dados da Controladoria-Geral da União (CGU) consultados pelo UOL. A companhia possui contratos para o fornecimento de agentes de portaria às escolas da rede estadual.
Com os aditivos, o valor dos contratos alcançou R$ 257,8 milhões. Esse montante corresponda ao valor contratual e não necessariamente ao que já foi efetivamente pago. Dois dos contratos permanecem em vigor.
Empresa da irmã recebeu outros R$ 61 milhões
Outra empresa da família com contratos públicos é a JR Limpeza, pertencente a Adryane Albuquerque Coelho, irmã de João e Adriano. Levantamento do UOL mostrou que a JR recebeu aproximadamente R$ 61 milhões do Governo do Pará desde 2021. A empresa mantém ou manteve contratos com o Estado para serviços como limpeza, conservação e atividades relacionadas à rede estadual de ensino.
A JR Limpeza também apareceu em outra reportagem do UOL, publicada em junho. A empresa operava, por meio de arrendamento, uma aeronave utilizada pelo então governador Helder Barbalho durante compromissos políticos no interior do Pará.
PF investiga dinheiro apreendido
A operação ocorreu depois que uma denúncia anônima informou à Polícia Federal que seria movimentada uma quantia milionária que teria sido desviada da educação estadual e seria destinada a campanhas eleitorais.
A partir das informações recebidas, os investigadores fizeram diligências e identificaram que Diana Albuquerque Coelho e a Lastro possuíam chaves Pix relacionadas à agência bancária indicada na denúncia. A PF então realizou vigilância no local.
Dois homens foram abordados depois da movimentação bancária e R$ 2,5 milhões em espécie foram apreendidos e foram presos em flagrante. A PF também apreendeu uma arma e outros materiais.
A investigação apura a suspeita de que o dinheiro pudesse ser utilizado no financiamento irregular de campanhas eleitorais e eventual compra de votos.
Com informações de Natália Portinari/UOL.








