Plataforma reúne declarações de 22 personalidades, entre ex-integrantes do governo Bolsonaro, antigos aliados, lideranças liberais e conservadoras e responsáveis pelo impeachment de Dilma Rousseff. Críticas envolvem suspeitas de corrupção, ameaças à democracia, soberania nacional e concentração de poder. Foto: Reprodução

Ex-ministros do governo Jair Bolsonaro, antigos aliados do ex-presidente, lideranças conservadoras e políticos que participaram do impeachment de Dilma Rousseff estão entre as 22 personalidades reunidas em uma plataforma digital que apresenta críticas à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. O levantamento reúne declarações públicas de figuras que, apesar das divergências com o PT e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, questionam a conduta política do candidato da extrema-direita e os riscos que associam a um eventual governo do senador.

Batizado de “A direita contra Flávio”, o site reúne manifestações de ex-ministros, parlamentares, juristas, empresários e antigos apoiadores da família Bolsonaro. O material está organizado em torno de temas como corrupção, democracia, autoritarismo, soberania nacional e relações políticas do candidato. As declarações são acompanhadas de referências às fontes em que foram divulgadas.

Ex-ministros de Bolsonaro questionam o próprio bolsonarismo

Entre os nomes destacados está o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, que ocupou a Secretaria de Governo durante a administração Jair Bolsonaro. Ao comentar a busca de apoio externo por integrantes da família do ex-presidente, o militar afirmou que o extremismo bolsonarista não representa a direita e utilizou o termo “vigarice” para caracterizar esse comportamento.

Santos Cruz também criticou as articulações com os Estados Unidos, classificando a procura por interferência estrangeira como uma afronta à soberania brasileira.

Entre os depoimentos mais contundentes estão os de Joice Hasselmann, ex-deputada federal que foi a primeira líder do governo Bolsonaro no Congresso, e de Julian Lemos, que coordenou a campanha presidencial de Jair Bolsonaro no Nordeste em 2018.

Joice acusa Flávio Bolsonaro de envolvimento em práticas ilícitas e afirma que já desconfiava de sua conduta quando passou a conhecer mais de perto a família. Julian Lemos também faz acusações de corrupção contra o senador e questiona suas relações financeiras.

O deputado federal Otoni de Paula, que chegou a exercer a vice-liderança do governo Bolsonaro na Câmara, apresenta críticas relacionadas a suspeitas de corrupção e possíveis vínculos com milícias no Rio de Janeiro.

A plataforma também destaca declarações de duas figuras que participaram diretamente do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016: o jurista Miguel Reale Júnior e a vereadora paulistana Janaina Paschoal.

Ex-ministro da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso, Reale Júnior relaciona a candidatura de Flávio Bolsonaro à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022 e questiona a possibilidade de conceder anistia aos envolvidos nos ataques às instituições democráticas.

Em manifestação pública, o jurista afirmou que apoiar Flávio significaria legitimar a tentativa de tomada do poder pela força.

Renan Santos, fundador do MBL e candidato à Presidência pelo partido Missão no primeiro turno de 2026, acusa Flávio Bolsonaro de usar a política para obter benefícios pessoais. Ele também manifesta preocupação com a possibilidade de concentração de poder nas mãos de partidos aliados ao senador, especialmente diante da composição do Congresso Nacional.

A plataforma “A direita contra Flávio” reúne os nomes, as declarações e as referências utilizadas pelos organizadores, permitindo consultar as críticas apresentadas ao candidato do PL: https://direitacontrabolsonaro.vercel.app/

 

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