Foto: Reprodução Redes Sociais
Patrícia Queiroz, que é vereadora de Belém (PP), gerou revolta nas redes sociais ao compartilhar publicações que sugeriam a empresários a demissão de funcionários que manifestaram apoio à reeleição do presidente Lula (PT), que obteve na capital paraense 468.891 votos. Diante da repercussão negativa, a parlamentar retirou o conteúdo de suas redes.
A parlamentar e pastora que se apresenta como “serva de Jesus”, repostou em seus stories do Instagram uma publicação que dizia: “Empresário, olha a rede social do teu funcionário aí e confere se ele fez ‘L’. Acho que não faz sentido nenhum manter na tua empresa quem odeia empresários.”
O gesto de “fazer L” é associado ao apoio a Lula e ao PT. O texto equipara o apoio ao presidente a “odiar empresários” e sugere que o empregador verifique as redes sociais do funcionário para decidir sobre sua permanência na empresa.
A publicação despertou revolta nas redes sociais, por estimular o discurso de ódio e a discriminação política. Diante da pressão, Patrícia Queiroz apagou a publicação de suas redes.
A também vereadora, Vivi Reis (Psol), afirmou que irá acionar o Ministério Público do Trabalho.
“É um absurdo o que a vereadora Patrícia Queiroz compartilhou nas suas redes sociais. Primeiro, que isso é um ataque ao livre exercício do voto, e vindo de uma vereadora democraticamente eleita, é até contraditório. E segundo, que a vereadora deveria estar preocupada em ampliar a geração de emprego e renda, mas está incentivando a demissão em massa. Por isso, vou acionar o Ministério Público do Trabalho para apurar essa postura da vereadora”, disse Vivi.
A deputada estadual, Lívia Duarte (Psol), também se manifestou: “”Queria lembrar a vereadora que discriminação por qualquer opção polítca precisa ser respeitada neste país, e que isso não pode ser uma ameaça ao sustento de sua família. Isso é crime. Como alguém que se diz cristã pode torcer pela falta de pão na mesa das famílias, pela desestruturação das famílias?”
Quem é Patrícia Queiroz
Pastora e cantora cristã, Patrícia Queiroz pertence à Igreja do Evangelho Quadrangular (IEQ). Foi eleita vereadora de Belém nas eleições de 2024 com 8.330 votos, assumindo o mandato para a legislatura de 2025 a 2028. Ocupa a função de 3ª Vice-Presidente da Câmara Municipal de Belém. É filha do falecido pastor e ex-vereador Paulo Queiroz.
Implicações legais
A Lei nº 9.029/1995 proíbe práticas discriminatórias para efeitos de acesso ou manutenção da relação de emprego, incluindo por motivos de opinião política, e prevê reparação ao trabalhador. A Constituição Federal garante a liberdade de expressão política. Especialistas apontam que a sugestão de demissão por posicionamento político pode configurar assédio e violação de direitos fundamentais.
Contexto eleitoral no Pará
Lula conquistou 2.690.449 votos no Pará, vantagem de 490.509 sobre o adversário, e foi o candidato mais votado em 96 dos 144 municípios paraenses. Em Belém, Lula obteve 468.891 votos (55,01% dos válidos), enquanto Flávio Bolsonaro recebeu 383.457 votos (44,99%), diferença de 85.434 votos. Em Ananindeua, segundo maior colégio eleitoral do Pará, Lula conquistou 152.008 votos, chegando a 52,61%.








