Vereadora questionou parlamentares que votaram contra proposta de apoio às investigações do Ministério Público do Trabalho sobre possíveis pressões políticas contra trabalhadores. Foto: Vídeo reprodução
A rejeição, pela Câmara Municipal de Belém, de um requerimento apresentado pela vereadora Vivi Reis para apoiar as apurações do Ministério Público do Trabalho (MPT) sobre denúncias de assédio eleitoral provocou a manifestação da vereadora Marinor Brito.
Durante o debate, a parlamentar criticou a postura dos vereadores que rejeitaram a iniciativa e questionou as contradições de quem, segundo ela, prefere proteger seus pares a apoiar a apuração de possíveis irregularidades.
“É preciso questionar a contradição de vereadores que, diante de denúncias tão graves, preferem proteger seus pares em vez de apoiar a apuração dos fatos. A população espera de seus representantes compromisso com a transparência, com a legalidade e com os direitos dos trabalhadores”, afirmou Marinor Brito.
A vereadora também chamou a atenção para a gravidade das denúncias de pressão política no ambiente de trabalho, que apontam para supostas iniciativas de pessoas ligadas ao campo bolsonarista para incentivar empresários a demitir trabalhadores por terem votado no presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.
“O voto é livre, secreto e um direito de cada cidadão e cidadã. Nenhum trabalhador pode ser ameaçado, perseguido ou perder o emprego por causa de sua escolha política. Isso é uma afronta à democracia e aos direitos da classe trabalhadora. As denúncias precisam ser apuradas pelos órgãos competentes”, declarou a parlamentar.
Denúncias ameaçam a liberdade de escolha dos trabalhadores
O assédio eleitoral no trabalho ocorre quando trabalhadores são submetidos a coação, intimidação, ameaça ou constrangimento para influenciar seu voto ou sua manifestação política. Entre as condutas que podem caracterizar essa prática estão ameaças de demissão, retaliações profissionais e pressões para apoiar determinada candidatura.
O Ministério Público do Trabalho atua para garantir que as relações profissionais não sejam utilizadas como instrumento de pressão eleitoral e que a liberdade política dos trabalhadores seja respeitada tanto no setor público quanto no privado.
Marinor cobra coerência dos vereadores
Ao comentar a rejeição do requerimento, Marinor defendeu que o compromisso com a democracia deve prevalecer sobre alinhamentos políticos e relações entre parlamentares.
“Não existe defesa da democracia pela metade. Não podemos aceitar que interesses políticos se sobreponham aos direitos da população. Quem defende a liberdade precisa demonstrar isso na prática, principalmente quando estão em jogo o direito ao voto e a dignidade dos trabalhadores”, ressaltou.
A rejeição do requerimento não substitui nem encerra as apurações que cabem aos órgãos competentes. A discussão, porém, coloca em evidência o papel do Legislativo municipal diante de denúncias que envolvem direitos fundamentais e liberdade democrática.
“Nosso compromisso deve ser com o povo, com os trabalhadores e com o respeito à vontade soberana expressa nas urnas. Toda denúncia precisa ser investigada, e ninguém pode ser punido por exercer seu direito de escolha”, concluiu Marinor Brito.








