Um dos festivais de música mais longevos do país, evento da Escola de Música da UFPA reúne dezenas de apresentações, concertos, oficinas e encontros com artistas e convidados nacionais e internacionais, de 9 a 19 de novembro, em diferentes espaços culturais da capital paraense. Toda a programação é gratuita. Fotos/divulgação
Dezenas de apresentações musicais, concertos, oficinas, encontros acadêmicos e intercâmbios artísticos vão movimentar Belém entre os dias 9 e 19 de novembro. Em sua 53ª edição, o Encontro de Artes de Belém (ENARTE), realizado pela Escola de Música da Universidade Federal do Pará (EMUFPA), mobiliza aproximadamente 700 pessoas, entre músicos, estudantes, professores, artistas convidados e equipes de produção, em uma programação gratuita que ocupa alguns dos principais espaços culturais da cidade.
Do Theatro da Paz à Igreja de Santo Alexandre, passando pelo complexo dos Mercedários, Teatro Waldemar Henrique, Museu da Imagem e do Som e Sesc Ver-o-Peso, o festival reúne diferentes expressões musicais, da tradição sinfônica à música popular amazônica, abrindo espaço para novas composições, experiências coletivas e encontros entre artistas de diferentes gerações e trajetórias.
Realizado pela primeira vez em 1974, o ENARTE chega agora a mais de cinco décadas de história com o tema “Conexões Musicais Urbanas”, reafirmando sua presença na vida cultural de Belém. A programação inclui a participação de grupos musicais da universidade, artistas convidados, projetos sociais e instituições parceiras, além de atividades de formação, pesquisa e intercâmbio internacional.
Para o diretor da EMUFPA, professor Celson Gomes, o festival representa uma oportunidade de apresentar à sociedade a diversidade da produção artística e acadêmica da instituição. Ele destaca que o evento também expressa uma concepção de universidade pública aberta à sociedade, em que o conhecimento produzido nas salas de aula, nos projetos de pesquisa e nas atividades de extensão ultrapassa os limites da instituição.
“É o momento também de mostrar essa escola no seu aspecto do ensino, da extensão e da pesquisa. E eu acho que a extensão pesa aqui, que é esse diálogo, um diálogo que é sem fronteiras”, ressalta Celson Gomes.
Tradição e inovação marcam mais de cinco décadas de história
Criado na década de 1970 pelo pianista, professor e compositor Altino Pimenta, o ENARTE nasceu com a proposta de integrar diferentes manifestações artísticas da universidade. Ao longo de sua trajetória, consolidou-se como uma das principais vitrines da produção musical da EMUFPA, reunindo formação, pesquisa, criação artística e apresentações abertas à sociedade.
Essa história também acompanha as transformações da Escola de Música da UFPA. Originada na tradição conservatorial, a instituição mantém sua formação em instrumentos, canto, bandas e orquestras, mas ampliou sua atuação para áreas como música popular, composição, arranjo, tecnologia e produção cultural. A implantação de novos cursos e a consolidação do mestrado profissional em Música representam avanços importantes para a formação e a pesquisa musical na região.
A diversidade se manifesta não apenas nas linguagens presentes na programação, mas também nas possibilidades de atuação profissional oferecidas aos estudantes. A escola prepara músicos para diferentes ambientes de trabalho, dos palcos de concerto às apresentações populares, passando pelo ensino, pela criação e pela produção musical.
“Nós formamos para além da banda, para além da orquestra sinfônica. Formamos para o barzinho, formamos para a igreja, formamos para as aulas de instrumento”, observa Celson Gomes.
Conexões musicais que ultrapassam fronteiras
O tema desta edição se materializa na ampliação das parcerias institucionais e dos intercâmbios artísticos. Durante o ENARTE, estão previstas iniciativas de cooperação com o Sesc e com uma universidade do Missouri, nos Estados Unidos, fortalecendo perspectivas de formação, pesquisa e circulação de músicos e projetos da EMUFPA.
A dimensão internacional aparece ainda na programação artística, com a participação do compositor francês Pierre Thilloy, cuja trajetória estabelece conexões com a instituição. Entre os projetos associados a esse intercâmbio está sua 11ª sinfonia, que aborda relações históricas entre a escravidão na Guiana Francesa e a Cabanagem no Pará.
As conexões alcançam o interior paraense, com a aproximação de municípios de forte tradição musical, como Vigia, reconhecida por sua história de formação de bandas, e a participação de grupos e artistas de diferentes regiões do estado.
Para Celson Gomes, essas articulações reforçam o compromisso da universidade com a circulação do conhecimento e com o fortalecimento das relações culturais.
“A EMUFPA não é uma instituição pública fechada em si mesma. Quando a gente estabelece essas conexões e firma isso, estreitamos laços e abrimos novas oportunidades para a formação em música”, destaca.
Theatro da Paz recebe concerto de abertura
A programação artística do 53º ENARTE começa na segunda-feira, 9 de novembro, com uma noite especial no Theatro da Paz, reunindo diferentes formações musicais da universidade e convidados.
Às 17h, o foyer do teatro recebe o Recital de Professores da EMUFPA. A abertura solene acontece às 20h, seguida, às 20h15, do concerto que reúne a Orquestra Sinfônica Altino Pimenta, o Coro Comunitário da EMUFPA, o Coruni — Coro Universitário da UFPA —, a pianista Gabriella Affonso e o compositor francês Pierre Thilloy.
O programa propõe uma viagem musical por diferentes continentes, épocas e linguagens, aproximando a tradição sinfônica europeia de referências musicais amazônicas e do canto coral brasileiro.
Entre as obras apresentadas está Le Voyage de l’Éléphant, Opus 257, de Pierre Thilloy, composição de caráter sinfônico e narrativo que articula literatura e música. A obra foi criada em 2022, por encomenda para as comemorações do centenário de nascimento do escritor português José Saramago.
A presença do compositor francês reforça o caráter internacional do festival e a proposta de estabelecer diálogos entre diferentes tradições musicais.
Primeira semana reúne concertos, música popular e formação artística
A programação começa ainda pela manhã do dia 9, na Escola de Música da UFPA, com atividades voltadas à formação e à criação musical.
Das 8h às 12h, o Auditório Altino Pimenta recebe o Workshop de Música Popular da EMUFPA, promovido pelo Colegiado de Música Popular e com a participação do professor Walter Almeida, da área de bateria. A atividade reúne estudantes de diferentes modalidades na preparação e execução coletiva de obras da música popular brasileira, trabalhando escuta, leitura musical, percepção rítmica, autonomia e cooperação.
Também no dia 9 começa a Oficina de Criação Musical, ministrada pelo professor e pesquisador Marcos Cohen. A atividade será realizada na sala 104 da EMUFPA, das 14h às 17h, com encontros nos dias 9, 10, 11, 12 e 13 de novembro. A proposta é apresentar fundamentos da composição musical por meio de audição de obras, exercícios de criação orientada e uma apresentação dos trabalhos desenvolvidos pelos participantes.
Ao longo da primeira semana, de 9 a 15 de novembro, o festival reúne apresentações instrumentais, música popular, atividades formativas e encontros que evidenciam a diversidade da produção musical da universidade e de seus convidados.
Entre os grupos destacados na programação estão a Orquestra de Violoncelistas da Amazônia Inclusiva, a Orquestra Guitarrônica do Pará e a Orquestra de Câmara Paulo Keuffer, formações que representam diferentes experiências de criação, interpretação e formação musical.
A programação também abre espaço para atividades relacionadas ao carimbó, apresentações populares e experiências que aproximam os saberes musicais amazônicos de novas propostas artísticas.
Além dos concertos, oficinas, palestras e encontros acadêmicos estimulam o intercâmbio entre estudantes, professores, pesquisadores, músicos profissionais e o público interessado.
Segunda semana amplia intercâmbios e segue até o encerramento
Entre os dias 16 e 19 de novembro, o ENARTE dá continuidade à programação artística e formativa, com novas apresentações, encontros de pesquisa e atividades que aprofundam as conexões entre diferentes linguagens, gerações e instituições.
A programação acadêmica ganha espaço com colóquios, mesas-redondas, oficinas e discussões sobre a formação musical, a pesquisa, a composição e as transformações do campo profissional da música.
O encerramento, em 19 de novembro, marca a conclusão de uma edição que reúne tradição e inovação, diversidade de linguagens e diferentes formas de participação artística. Mais do que um encontro de apresentações musicais, o ENARTE reafirma sua trajetória como espaço de formação, criação, pesquisa e aproximação entre a universidade e a sociedade.
Programação gratuita e aberta ao público
Todas as atividades do 53º ENARTE são gratuitas. Para participar de determinadas oficinas e atividades formativas, é necessário realizar inscrição antecipada, conforme as orientações da organização.
O acesso aos concertos e apresentações artísticas também é gratuito, observadas as condições de entrada e a capacidade de público de cada espaço.
A programação completa, com datas, horários, locais, atrações e informações sobre inscrições, está disponível no site oficial do evento.
https://www.even3.com.br/enarte53-777882/
SERVIÇO
53º ENARTE – Conexões Musicais Urbanas
Período: 9 a 19 de novembro de 2026
Abertura: Segunda-feira, 9 de novembro
Local da abertura: Theatro da Paz, Belém
17h: Recital de Professores da EMUFPA, no foyer
20h: Abertura solene
20h15: Concerto de abertura, com Orquestra Sinfônica Altino Pimenta, Coro Comunitário da EMUFPA, Coruni, Gabriella Affonso e Pierre Thilloy
Realização: Escola de Música da Universidade Federal do Pará (EMUFPA)
Locais: EMUFPA e diferentes espaços culturais de Belém
Programação: Concertos, apresentações musicais, oficinas, palestras, colóquios, encontros de pesquisa e atividades culturais
Entrada: Gratuita
Programação completa e inscrições: https://www.even3.com.br/enarte53-777882/








