Resultado de projeto selecionado pela Funarte, a exposição exposição “Olhos de Ver” abre neste sábado, 7 de novembro, em Belém, apresentando os processos de criação desenvolvidos ao longo de 2026 sob a orientação do fotógrafo e educador Miguel Chikaoka. Foto: Angelo Martins

A fotografia experimentada com o corpo, a natureza, a luz e o tempo. Essa investigação está no centro da exposição coletiva “Olhos de Ver”, que abre ao público no sábado, 7 de novembro, às 10h, na Kamara Kó Galeria, em Belém. A mostra é resultado do Laboratório Olhos de Ver… Com que Olhos? – Gênese da imagem e sensibilização do olhar, projeto selecionado pelo Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas 2025, da Fundação Nacional de Artes (Funarte), vinculada ao Ministério da Cultura.

Idealizado e conduzido pelo fotógrafo e educador Miguel Chikaoka, o projeto desenvolveu, ao longo de 2026, um percurso de formação, investigação e criação coletiva que reuniu 238 participações de mais de 130 alunos, distribuídas entre oito módulos formativos e cinco mini oficinas da série Gotas de Luz. A programação incluiu ainda rodas de conversa e atividades voltadas à ampliação do acesso às experiências fotográficas, com a realização de duas atividades direcionadas ao público surdo.

“A exposição compartilha esses processos e suas descobertas ao longo do percurso, traduzindo diferentes maneiras de perceber e produzir imagens, sempre a partir de práticas e fluxos que aproximam fotografia, arte, educação e natureza. Depois de meses produzindo, convidamos agora o público a fazer parte também”, diz Miguel Chikaoka.

Da experiência à criação coletiva

O laboratório, por meio da Pedagogia dos Fluxos, desenvolvida por Chikaoka, propôs uma aproximação com a fotografia como campo de percepção, convivência e transformação. Em lugar de concentrar o aprendizado no domínio de equipamentos e técnicas convencionais, as atividades estimularam experiências multissensoriais, exercícios de observação e práticas colaborativas.

Esse percurso começou com investigações sobre a luz, a formação da imagem, a captura do tempo, o foco e a profundidade de campo. Avançou para a organização e gestão de arquivos fotográficos, a edição de imagens e os processos de curadoria, até chegar à construção coletiva da exposição.

Outras experiências exploraram as possibilidades de criação com elementos naturais, como a fitotipia e a antotipia, técnicas que utilizam a ação da luz sobre materiais vegetais, e o tataki-zomé, processo de impressão botânica. Pigmentos minerais, experimentações com cores e exercícios de percepção visual também integraram as atividades.

A série de mini oficinas Gotas de Luz ampliou essas possibilidades de experimentação, com propostas como Mottainai – Brincando com a Luz, Cores da Terra, Disco de Cores e Click Mental – Ativando o Olhar Fotográfico. Também promoveu experiências em diferentes territórios, aproximando a prática fotográfica dos ambientes, materiais e relações que constituem o cotidiano dos participantes.

A dimensão inclusiva esteve presente em atividades desenvolvidas com pessoas surdas, entre elas o módulo Fototaxia com Pessoas com Deficiência Auditiva e experiências de impressão botânica com a técnica do tataki-zomé. As ações estimularam outras formas de comunicação, percepção e produção de imagens, reafirmando a fotografia como linguagem que ultrapassa a dimensão exclusivamente visual.

Uma exposição construída por muitas mãos

A montagem de “Olhos de Ver” é resultado de um processo coletivo. A curadoria reúne nove participantes, que contribuíram para pensar como os diferentes trabalhos e processos poderiam dialogar no espaço expositivo.

A exposição propõe, assim, um encontro entre os percursos individuais e a construção de uma experiência compartilhada. O público é convidado a observar as imagens e os objetos apresentados sob outras perspectivas, percebendo também os gestos, as descobertas e as relações que emergem de cada criação.

Realizado pela Kamara Kó Galeria, o projeto integra uma proposta de continuidade das ações de formação e experimentação fotográfica desenvolvidas pelo espaço, ampliando as possibilidades de encontro entre artistas, estudantes e diferentes públicos.

No dia 6 de dezembro, durante a programação do Projeto Circular, a galeria realiza uma roda de conversa às 10h. A visitação segue até 12 de dezembro de 2026, com entrada gratuita.

Serviço

Exposição coletiva: Olhos de Ver
Abertura: 7 de novembro de 2026, às 10h
Visitação: De 7 de novembro a 12 de dezembro de 2026
Horários: De quarta-feira a sábado, das 10h às 17h
Local: Kamara Kó Galeria – Travessa Frutuoso Guimarães, 611, Campina, Belém (PA)
Entrada: Gratuita
Programação especial: 6 de dezembro, às 10h – roda de conversa durante o Projeto Circular

Projeto de origem: Laboratório Olhos de Ver… Com que Olhos? – Gênese da imagem e sensibilização do olhar
Idealização e condução: Miguel Chikaoka
Coordenação geral: Makiko Akao – Kamara Kó Galeria
Curadoria: Coletiva – Módulo VI
Realização: Kamara Kó Galeria

Projeto selecionado: Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas 2025 – Funarte / Ministério da Cultura / Governo Federal.

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