Toffoli foi a Capri. Quem pagou?

Do Espaço Aberto

Mas que coisa, hein?
A Folha de hoje traz reportagem sobre o forrobodó que foi a festa de casamento do advogado criminalista Roberto Podval.
A festança foi em Capri, a bela ilha no sul da Itália.
Quem foi lá, às próprias expensas, jamais esquece.
Quem já entrou naquela gruta azul sai de lá dizendo que nunca antes, jamais, em tempo algum viu uma coisa igual.
Imaginem então quem já passou por lá às expensas dos outros.
Hehehehe.
Podval arrebentou a boca do balão, conta a Folha.
Ofereceu aos 200 convidados dois dias de hospedagem no Capri Palace Hotel, um cinco estrelas cujas diárias variam de R$ 1,4 mil a R$ 13,3 mil (de acordo com o câmbio de ontem).
Uma equipe de cabeleireiros e maquiadores foi levada do Brasil. Nos quartos, os convidados encontraram champanhe, frutas e brindes. Os noivos contrataram um show do cantor romântico italiano Peppino di Capri, conhecido pela canção “Champagne”, sucesso nos anos 70.
E aí?
E aí que vocês sabem quem estava lá?
Sua Excelência o ministro do Supremo Tribunal Federal José Antonio Dias Toffoli, que não informou quem pagou sua viagem.
Mas sabe-se que Toffoli, no STF, é relator de dois processos nos quais Podval atua como defensor dos réus. Ele atuou em pelo menos outros dois casos de clientes de Podval.
A assessoria do ministro se limitou a dizer o seguinte: É importante esclarecer que a viagem do ministro foi de caráter estritamente particular. Diante desse fato, ele se reserva o direito de não fazer qualquer comentário sobre seus compromissos privados.”
Viagem de caráter estritamente particular?
Mas então por que o ministro não diz claramente quem pagou a viagem dele?
Por que não exibe logo os comprovantes?
Toffoli sabe que o múnus de seu cargo exige que ele seja igual à mulher de César, aquela que não apenas era obrigada a ser honesta como precisava parecer, dar a aparência, transmitir a impressão de ser honesta.
Se o ministro respondesse a todas as perguntas, não remanesceriam dúvidas, porque se espera de um ministro do Supremo que ele não minta.
Como se recusa a esclarecer tudo tintim por tintim, todos ficam livres para especular.
Ou não?

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