Retirada de Boulos na disputa ao governo de São Paulo demonstra unidade necessária à vitória da esquerda nas eleições de 2022

Ju Abe

A retirada da candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) ao governo de São Paulo, anunciada pelo próprio nesta semana, causou burburinho nos círculos políticos do “Tucanistão”, atual apelido do mais rico estado brasileiro- já que lá o governo do PSDB se estende em sucessivos mandatos por 27 anos.

Na live em seu Instagram, ele também declarou a sua candidatura para o cargo de Deputado Federal, afirmando que o motivo que mais o impulsionou a desistir da disputa pelo governo de São Paulo é a unificação da esquerda em torno do nome de Fernando Haddad, que tem tido expressividade nas pesquisas eleitorais do Estado, e é a aposta do PT para derrotar o PSDB no mais populoso estado brasileiro: “O Haddad é um dos candidatos que tem melhores condições de expressar isso (a unidade da esquerda) aqui no estado, uma das razões pelas quais eu retirei minha candidatura”, disse ele, enfatizando que a decisão foi feita em conjunto com o seu partido.

O anúncio demonstrou uma maturidade que a esquerda precisa ter, se quiser sair consideravelmente vitoriosa nas eleições de outubro no Brasil. São momentos sombrios, e o pleito, pelas palavras do próprio pesolista é “mais do que uma disputa de votos”: o que está em jogo nas eleições brasileiras deste ano, “são mentes, corações e valores, valores pelos quais temos lutar na sociedade brasileira”, disse ele, pontuando que os que falam de Deus na política, na verdade só pregam o “ódio, armas e violência”.

Esta unidade na esquerda talvez deixe pra depois muitas vozes que gostariam de ter seu lugar ainda neste outubro, entretanto, é racional lançar jogadas estratégicas no tabuleiro do jogo cujo objetivo maior é derrotar Bolsonaro e seus comparsas, no contexto das eleições de 2022. A democracia brasileira é ainda muito jovem e frágil, e é perigoso demais deixar o país a mercê de grupos que flertam com o fascismo e aproveitam-se da ignorância de grande parte da população para manipular, recebendo sempre a gigantesca maioria dos financiamentos de campanha provindos da iniciativa privada.

Além da cadeira de presidência, para a qual Boulos deixou muito claro apoiar veementemente a candidatura do ex-presidente Lula, em seu anúncio da retirada à disputa pelo governo, Boulos enfatizou que é preciso montar “uma bancada de esquerda como nunca houve na História do Brasil”, a qual, diz ele, “terá um papel decisivo pro futuro”.

A candidatura de Boulos à uma vaga no Congresso Nacional deverá causar grande mudança no cenário de representantes parlamentares federais do estado de São Paulo, cuja maior votação em 2018 foi de Eduardo Bolsonaro, o filho 3 de Bolsonaro. Além do mais, numa provável vitória de Lula, a bancada da esquerda terá mesmo um papel fundamental para a governabilidade petista.

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