Prefeitura, que teve a chapa eleitoral cassada em março de 2022, parece desconhecer cultura regional amazônica e debates sobre alterações climáticas
Na foto, o Churrasco “gigante”: 20 mil kilos de carne são assados para serem distribuídos à população no aniversário de Parauapebas
Um gigantesco robô bem ao estilo de filmes americanos e uma boneca da Minie, fazem a alegria da criançada. Shows de Maiara e Maraisa, e outros artistas vindos do Rio Grande do Sul, Minas Gerais. Ainda, o “plus”: um gigantesco churrasco digno de Guiness.
A pomposa celebração escancara um triste fenômeno perceptível em muitas cidades paraenses: a falta de investimento público na cultura local que faz crescer cada vez mais entre a população um “gosto” em consumir apenas o que vem de fora, diga-se, cultura produzida em Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro.

Queimar 20 mil quilos de carne mostra também a incapacidade das prefeituras do interior do Pará em compartilhar das pautas ambientais que discutem meios de preservar a Amazônia no mundo, além de expor o que parece ser o triste futuro delegado aos povos da Amazônia: ricos donos de fazendas usufruindo de privilégios enquanto queimam nossas florestas, e dando à população que mais sofre com as alterações climáticas, esporádicas esmolas de carne de graça, ou os ossos que sobram de seus rebanhos.
Durante a festa, a prefeitura prometeu a finalização do Parque Ambiental dos Ipês, como quem quer mostrar que não é tão “anti-ambiental” assim. Mas, a despeito do esforço, não há como esconder o fato de que os 20 mil quilos de carne certamente custaram uma necessária parte de nossos ecossistemas, apesar de satisfazer os estômagos carentes da população que sob o governo Bolsonaro não tem conseguido manter a carne bovina no cardápio, devido à alta nos preços
Outro fenômeno evidenciado na festa promovida pela prefeitura é que, o empobrecimento da população, a devastação das nossas florestas e o sofrimento com as alterações climáticas sentidos mais intensamente pelos menos favorecidos, tem colocado a cultura agro como protagonista na promoção e intensificação das desigualdades sociais na Amazônia.
Ju Abe








