O Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgou, nesta quarta-feira (11), o relatório “Cartografias da violência na Amazônia” que mostra números alarmantes na Amazônia e no Pará. Segundo o estudo, realizado a partir de números oficias das Secretarias de Segurança dos estados, mesmo com redução das mortes violentas em cidades classificadas pelo IBGE como urbanas e intermediárias, houve crescimento nas cidades rurais, e a média de violência na Amazônia Legal é maior do que a média nacional.
“A taxa de mortes violentas intencionais no Brasil em 2022 foi de 23,3 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes, enquanto nas cidades que compõem a Amazônia legal, a taxa registrada foi de 33,8 por 100 mil, ou seja, a taxa média de violência letal na Amazônia foi 45% superior à média nacional”, diz o documento.
O estudo também analisou os 15 municípios que tiveram taxa média de violência letal acima de 80 mortes por grupo de 100 mil habitantes no triênio 2020-2022, e a maioria delas está no Pará: Floresta do Araguaia (128,6), Cumaru do Norte (128,5), Mocajuba (108,0), Anapu (128,5), Novo Progresso (99,9), Abel Figueiredo (95,2), Ourilândia do Norte (89,4) e Curionópolis (80,7).
Os crime ambientais e a violência
Os dois municípios mais violentos da Amazônia registram conflitos que envolvem, de um lado os povos indígenas e assentados pelo Incra, e de outro lado, madeireiros e grileiros, ou seja, atividades ligadas a degradação ambiental e ao desmatamento.
Em Floresta do Araguaia, localizada no Sul do Pará, as principais atividades econômicas são a pecuária, agricultura e mineração. Segundo o Ministério Público do Pará, pelo menos 13 conflitos fundiários e agrários ocorreram na região, cujos procedimentos extrajudiciais encontravam-se em tramitação em 2020. O município é sede de uma terra indígena e de diversos assentamentos.
Cumaru do Norte, que fica ao longo da rodovia estadual PA-287, abriga áreas protegidas como a TI Kayapó. Dentro do território indígena, o garimpo Maria Bonita foi palco de muitos assassinatos nos últimos anos. Outros garimpos também funcionam no município e tem sido objeto de atuação de órgãos fiscalizatórios
Em junho de 2023, a Polícia Federal realizou operação para fechamento de seis garimpos ilegais na cidade, resgatando 24 trabalhadores em condições análogas à escravidão. “Outra lógica recente em Cumaru é a disputa das facções PCC e CV, que tem ampliado os registros de homicídios, tanto por confronto quanto por punição de integrantes nos “tribunais do crime”, salienta o relatório.








