Roda de conversa com moradores das comunidades ribeirinhas da Floresta Nacional do Tapajós. Floresta Nacional do Tapajós. Foto: Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou neste domingo, 2 de novembro, duas comunidades na região do Tapajós, no Pará: a Aldeia Vista Alegre do Capixauã, na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, e a Comunidade Jamaraquá, na Floresta Nacional do Tapajós. As visitas integram a agenda de eventos preparatórios para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que será realizada em Belém.
Acompanhado das ministras Sonia Guajajara (Povos Indígenas) e Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima), e da presidenta da Funai, Joenia Wapichana, Lula dedicou o dia a ouvir as demandas de lideranças locais e a discutir políticas públicas voltadas à educação, saúde, moradia e sustentabilidade. O foco principal dos compromissos foi ampliar o acesso à educação indígena e fortalecer a autonomia das comunidades amazônicas.
“Para a floresta ficar em pé, temos que dar sustentação econômica, educacional e de saúde para as pessoas que tomam conta dela. Se as pessoas não tiverem o que comer, não vão tomar conta de nada”, afirmou Lula durante encontro com moradores da Flona Tapajós.

Educação como base da preservação
Ao lado de caciques e lideranças Kumaruara, o presidente ressaltou a importância de garantir acesso à educação de qualidade nas aldeias e comunidades tradicionais.
“Sempre acho que a gente tem que ver com os próprios olhos e pegar na mão das pessoas para sentir como é que as crianças estudam, as condições, a alimentação que têm e o que produzem”, disse.
Lula anunciou a criação da Universidade dos Povos Indígenas do Brasil, com sede em Brasília e campus em diferentes estados, incluindo o Pará. A instituição oferecerá cursos voltados às necessidades e saberes dos povos originários, promovendo a formação superior próxima das comunidades. “Os meninos terminam o ensino médio e não têm faculdade para cursar. Quero anunciar que vamos criar, até 17 de novembro, a universidade indígena. Vai ter o curso principal em Brasília, mas os estados farão extensões para os jovens estudarem perto de onde moram”, afirmou.
Além da universidade, o presidente também prometeu construir e ampliar escolas padrão MEC nas aldeias e fortalecer programas de qualificação de professores indígenas.
Vozes e lideranças femininas
A visita à Aldeia Vista Alegre destacou o protagonismo das mulheres na gestão comunitária. A cacique Irenilce Kumaruara, 43 anos, a primeira mulher a liderar a aldeia, coordena, junto a outras quatro mulheres, a pousada local, exemplo de economia sustentável e de liderança feminina na Amazônia.
“Sou a primeira mulher cacique e tenho orgulho disso. Aqui, nós mulheres coordenamos a aldeia e gerimos nossa pousada. A gente cuida do território e da nossa gente”, contou.
Sustentabilidade e renda

Na Comunidade Jamaraquá, o presidente acompanhou o processo de extração de látex e a fabricação de borracha, símbolos da produção sustentável local. A comunidade vive do turismo de base comunitária, da produção de biojoias e da venda de óleos e produtos florestais.
“A COP30 é um momento em que o mundo vai olhar a Amazônia com o respeito que ela merece. Vai conhecer não apenas a floresta, mas o povo extraordinário que a protege”, afirmou Lula.
As duas comunidades são exemplos de bioeconomia e sociobiodiversidade, com atividades baseadas em manejo florestal sustentável e geração de renda local. Programas como o Bolsa Verde, retomado em 2023, remuneram famílias que vivem em unidades de conservação e atuam diretamente na preservação ambiental.
Compromissos e avanços
Durante os encontros, Lula reafirmou compromissos na área de saúde e infraestrutura, com a construção de um centro de saúde equipado, transporte fluvial para atendimento emergencial e ampliação do acesso à energia elétrica por meio do programa Luz para Todos. Também mencionou o levantamento de novas moradias para inclusão no programa Minha Casa, Minha Vida.
A ministra Marina Silva destacou que a Resex Tapajós-Arapiuns é 100% regularizada e um exemplo de gestão comunitária eficiente. “Aqui se preserva 88% do território. É a prova viva de que é possível ter gente morando, produzindo e preservando ao mesmo tempo”, afirmou.
Já Sonia Guajajara reforçou que o governo seguirá atento às reivindicações locais. “O que couber a nós, vamos encaminhar, e o que couber a outros ministérios, vamos articular para atender o máximo possível.”
Uma Amazônia que ensina
As falas do presidente e das lideranças locais convergiram em um ponto central: educar é preservar. O fortalecimento das escolas indígenas, o reconhecimento dos saberes tradicionais e a criação de uma universidade voltada aos povos originários simbolizam uma nova etapa das políticas públicas voltadas à Amazônia, uma etapa em que o conhecimento e o território caminham juntos.
“A ideia é aprender com vocês. Brasília é longe, mas o que estamos fazendo aqui é ouvir, olhar e planejar junto. O que a gente quer é garantir que cada criança indígena possa estudar sem precisar sair da sua terra”, concluiu Lula.









