Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Fórum – A ida de Jair Bolsonaro (PL) para o Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, onde iniciará o cumprimento de sua sentença de 27 anos e três meses de prisão, conforme revelado com exclusividade pela Fórum, estava acertada para o próximo dia 14, mas o fato de a data cair bem no meio do período em que se realiza a COP30, em Belém, no Pará, fez com que o STF passasse a analisar um possível adiamento.
O evento internacional, que estará nos holofotes de todo o planeta por conta da presença de dezenas de chefes de Estado e de governo e devido à importante agenda climática em discussão, será um momento de grande visibilidade para o país, que colhe os frutos de uma liderança conquistada neste setor, algo que poderia de alguma forma ser ofuscado pelo envio do líder extremista condenado ao cárcere, uma vez que a cobertura da imprensa se dividiria entre a aguardada cimeira e o evento envolvendo o criminoso.
Um eventual atraso de 10 a 15 dias, visto que a COP30 se encerra em 21 de novembro, ainda está sendo analisado e não há decisão alguma por ora. A hipótese de que a data do dia 14 permaneça ainda existe, mas ministros e seus magistrados auxiliares ainda ponderam que tal acontecimento é algo que diz respeito apenas à vida política doméstica do Brasil, e que portanto não seria agradável dar destaque a isso em meio a um grandioso encontro mundial, até porque Bolsonaro sempre foi um pária na comunidade internacional e desprezou de todas as formas questões ambientais.
Se de fato for alterada, a data mais provável seriam os últimos dias do mês de novembro ou até mesmo o início de dezembro, levando em consideração que o último mês do ano começa numa segunda-feira (1º). Na família do ex-presidente golpista, assim como entre seus advogados, o clima é de resignação total. Recentemente, o primogênito do condenado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), disse textualmente que o clã “já espera pelo pior”.
No submundo da política, o governo do Distrito Federal, ente federativo onde fica a Papuda e que tem como governador o bolsonarista Ibaneis Rocha (MDB), que chegou a ficar 66 dias afastado do mandato após o 8 de janeiro, por suspeitas de colaboração com a tentativa de golpe de Estado, agora tenta uma manobra para apresentar um laudo médico prévio “atestando” que Bolsonaro não poderia ser enviado para a Penitenciária. Nos bastidores, a iniciativa é vista por integrantes do STF e do governo Lula como um ato de desespero que não dará resultado algum.








