Foto: Fetraf Pará
O agricultor familiar Sebastião Orivaldo da Fonseca Lopes, acampado da reforma agrária e histórico militante pela luta da terra, foi executado na manhã da última sexta-feira (7), na Fazenda Campo de Boi, no município de Ipixuna do Pará.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (CONTRAF-Brasil/CUT) denunciou o caso em nota pública, descrevendo o assassinato como “covarde” e fruto direto da omissão do Estado diante das reiteradas ameaças sofridas por lideranças rurais na região. Sebastião deixa esposa e quatro filhos.
A nota da entidade destaca que o crime não é um episódio isolado: somente em 2025, foram registrados diversos casos de tortura e ataques a famílias acampadas, com relatos de crianças mantidas presas em caixas d’água e casas incendiadas por jagunços a mando de grileiros e milícias.
Segundo a CONTRAF-Brasil, 39 lideranças rurais vivem sob ameaça de morte, enquanto cerca de 15 mil trabalhadores permanecem há mais de 20 anos em acampamentos à espera de regularização fundiária.
“O que recebemos em troca? Mais um corpo tombado. Mais uma família destruída. Mais um crime impune”, diz o documento, que exige ação imediata do Governo Federal, do INCRA e da Secretaria de Segurança Pública do Pará.
A entidade também critica a contradição entre o discurso ambiental em torno da COP 30 e a realidade de violência que marca a região:
“Falam em justiça climática, mas não há justiça climática sem justiça agrária. Não há transição ecológica possível com o sangue dos trabalhadores fertilizando o chão do Pará.”
O caso reacende o debate sobre a escalada de violência no campo e a impunidade dos crimes contra lideranças rurais na Amazônia. Nos últimos anos, o Pará figura entre os estados com maior número de assassinatos ligados a conflitos agrários, segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT).
Enquanto familiares e companheiros de luta se preparam para o velório de Sebastião, o clamor ecoa das lonas pretas dos acampamentos: “Chega de impunidade, chega de conivência, chega de sangue derramado.”









