Foto: FASE/divulgação
“Enquanto em muitos lugares está se discutindo sobre adaptação, aqui nas cidades amazônicas a gente tem que discutir implementação, porque nem condições estruturais para adaptar a gente tem”. Foi assim que a educadora Sara Pereira, coordenadora da Fase Amazônia, abriu sua participação na COP30, durante o painel: “Transitar das urgências para as alternativas: a sociedade civil mobilizada no enfrentamento à crise climática nas cidades”, nesta segunda-feira,10. Ela enfatizou que só haverá justiça climática se os territórios forem ouvidos. Hoje a Fase também lançou a Carta Compromisso para a justiça climática.
O debate aconteceu no salão Uruçu do Pavilhão Brasil, na green zone, sendo organizado pela Fase-Solidariedade e Educação, Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong), Instituto Pólis, e Instituto de Estudos Sócio-econômicos (Inesc).
Sara Pereira reafirmou o posicionamento da Fase de que a solução para a crise climática vem dos territórios e destacou que o fato da COP30 ser sediada em uma cidade da Amazônia brasileira “não deve ser olhado apenas como alegoria, como exuberância, mas sim deve levar a reflexões sobre o que esse território, esse contexto amazônico, pode nos trazer sobre a profunda crise climática que o mundo está vivendo”.
A educadora ressaltou que trazer esse debate sobre as cidades na abertura dos trabalhos da COP30 é bastante significativo, especialmente porque a conferência do clima está sendo realizada em uma das principais cidades brasileiras. E já que na Amazônia mais de 80% da população vive em cidades, isso aumenta ainda mais a importância de se discutir sobre os problemas enfrentados por elas no contexto da COP30.
Cidades que já sofrem por diversas opressões e dificuldades causadas pelo sistema capitalista, sofrem ainda mais com a agudização da crise climática, principalmente as pessoas das periferias e das baixadas, ressaltou Sara. “Portanto, trazer esses elementos, a parte da vivência, da realidade, da diversidade das cidades, não só brasileiras, mas de outras partes do mundo, é fundamental”.
Para Sara, além de abordar os problemas, o debate traz a perspectiva de pensar em alternativas. “Pensar nas alternativas que vêm dos territórios, a partir dos diálogos com as comunidades, com a academia, com as organizações que pensam e discutem esse tema num diálogo fraterno, mas muito propositivo”.
A educadora concluiu destacando aquilo que a Fase tem dito: que a justiça climática só poderá ser efetiva, ouvindo-se os territórios. “A resposta vem dos territórios, mas ancorada em políticas públicas, fortalecimento institucional das organizações e na aliança dos povos”. Ao final, ela convidou o público para participar da programação da Cúpula dos Povos, que começa no próximo dia 12, com uma barqueata no rio Guamá, e vai até o dia 16.
Além de Sara Pereira, participaram do painel Sheilla Dourado, do Inesc; Cássia Caneco, do Instituto Pólis; e Thomas Bross, do Klima Brundnis (Ação Climática). A mediação do debate ficou a cargo de Yuri Rodrigues, educador da Fase.
Crédito: Thaís Verônica/Verde Filmes
CARTA
Com o titulo: Justiça Climática: as soluções vêm dos territórios. Compromissos da Fase com Territórios e Maretórios de Justiça Climática, a Fase Solidariedade e Educação lançou nesta segunda-feira, 10, a Carta Política, onde expõe sua análise da crise climática e ambiental e defende que os efeitos da crise não atingem a todos de maneira uniforme. Pelo contrário, “ela amplifica as injustiças ambientais étnico-raciais e de gênero, intensificando os problemas de saúde pública, insegurança alimentar e nutricional, perda da biodiversidade, falta de moradia, violência contra as mulheres, entre tantas outras”.
A Carta foi lançada no site e redes sociais da Fase e também será entregue na noite desta segunda-feira em evento de recepção de parceiros que a Fase realiza em sua sede em Belém, na rua Bernal do Couto, 1329.
Confira a Carta na íntegra:CARTA_POLITICA_FASE








